quinta-feira, março 29, 2007
quarta-feira, março 28, 2007
you are welcome
Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, que guardam
o seu segredo e a sua posição
Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsinore
E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmos só amor só solidão desfeita
Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso querer falar
Cesariny, " you are welcome to elsinore", Uma Grande Razão, os poemas maiores,Assírio & Alvim
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quarta-feira, março 21, 2007
os dias estão cheios de cartas e de recomendações, de amigos que partem para sempre, ou adoecem, de recados e de intrigas, de contas intermináveis, de ouro, de corpos, de fortuna e de infortúnios.
de morte, e de cães feridos a uivar à porta da desolação.
uma espécie de miséria e de orgulho, escorrem no fundo de mim. e talvez seja a mistura venenosa da miséria com o orgulho que me há-de perder...
não tenho mais nada a dizer. os poemas morreram.
fugir tornou-se uma obsessão, ou então é a melhor maneira de encenar o desespero.
bebi águas inquinadas.
vi o corpo suspenso no rebordo dos poços, o coração batendo descontrolado.
mas a morte quando se aproxima, é uma coisa simples... vem comer à mão a cinza melodiosa dos dias.
por isso sei que, ao amanhecer, posso perguntar:
quantas áfricas murcharam na boca do amor?
quantas feras despedaçadas foram comidas ao entardecer?
quantos homens conseguiram apaziguar o relâmpago da paixão?
quantos desejos ficaram abandonados na escuridão intacta dos quartos?
a qual dos demónios me vender?
que besta suja será preciso adorar?
em que sangue contaminado mergulharei a língua?
que fogo estranho é este? que devora a beleza interior das coisas...
que mentira me poderá salvar?
uma golada de veneno e eis que se acende o talento
o rumor preciso das sílabas. o choro e o riso.
o brilho gelado das imagens.
então ergo o cachimbo onde guardo o ouro- e vou pelo engano das palavras.
descubro a febre, a ânsia do eterno viajante.
abro as mãos, solto as borboletas e os pássaros- que dizem ser a alma dos mortos.
um espelho onde não me reconheço. mas o pior é que nunca acreditarei no que me disseram, e parti o espelho.
o azar nunca mais me largou, e também não posso dizer que os negócios me tenham corrido bem.
foi maldição, dizem.
paciência. mas não há maldição sem desejo - e eu não páro de desejar, sôfrego... capaz de arriscar a vida e a razão.
ou de matar.
III de morte rimbaud dita em voz alta no coliseu de lisboa, a 20 de novembro de 1996, in Horto de Incêndio, Al Berto
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quinta-feira, março 15, 2007
terça-feira, março 13, 2007
as mudanças operam-se lentamente e para isso remetemo-nos ao silêncio das reflexões interiores. espera-se que passe.
Posted by contradições at 9:31 p.m. 1 comments
quinta-feira, março 08, 2007
terça-feira, março 06, 2007
sexta-feira, março 02, 2007
quinta-feira, março 01, 2007
divagando
E tudo começa sempre com o verbo
Uma pequena palavra que pode salvar
Mil actos desconcertados ou provocar
Outros tantos
Palavras pequenas ou grandes
Inócuas ou feras
E tudo começa sempre com o movimento
Do corpo que se trai
Do olhar que muda
Das mãos que dançam
E tudo começa sempre com a divagação
Sobre quem e o quê e porquê
E o que será e quem o disse
ou será que o dirá????
E tudo começa quando tudo acaba
E se recomeça …
Posted by contradições at 9:13 p.m. 0 comments



