quarta-feira, novembro 26, 2008

sibilâncias

(Contradições)

Solta o assobio soprado e sussurrado
Som surdo, amordaçado.
Inaudível é só um pensamento insólito.


quinta-feira, novembro 20, 2008

...


terça-feira, novembro 18, 2008

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.


E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.


E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Fernando Pessoa

segunda-feira, novembro 17, 2008

sobre a nostalgia...

(Contradições)

Deve ser do Outono, à semelhança das árvores, nós também vamos ficando vazios, sem protecção. E depois lá vamos nós, ao baú das memórias, recuperar ilusões de conforto para nos aquecerem a alma… há dois anos também se sofria de nostalgia por aqui.

domingo, novembro 16, 2008

quarta-feira, novembro 12, 2008

Concertos




A primeira vez que me falaram dos Sigur Rós eles faziam parte do alinhamento de um festival do Sudoeste de há alguns anos atrás. Eles não foram por qualquer razão e eu fiquei curiosa. Ouvi um CD e estranhei, porque é daquelas bandas que se estranham… muito! Mas teimei e ouvi mais uma e mais uma, até que se entranhou.
Por motivos vários nunca os tinha visto ao vivo, por isso ontem decidi ir vê-los. E ainda bem. Aquele som e aquela voz entram na alma e remexem-nos as entranhas, aliados a um jogo de luzes e imagens muito bem conseguidos, puseram-me, a mim, a sonhar, a olhar para as coisas como se fosse a primeira vez.
Um amigo meu visitou a Islândia há pouco tempo e diz que são “Cenários lunares, outros dignos do senhor dos anéis, outros os quais poderíamos contemplar até nos tornarmos estátuas iguais a tantas outras na paisagem. Neste país a Natureza domou o Homem enquanto este se maravilhava com o seu poder.” É um pouco dessa realidade quase irreal e mítica que nos trazem os Sigur Rós.





sábado, novembro 08, 2008

Sobre a Amizade

" A amizade é uma lei humana rigorosa. Na antiguidade era a lei do mais forte, nela se baseavam os sistemas jurídicos das grandes civilizações.Para além das paixões e do egoísmo vivia essa lei, a lei da amizade, nos corações humanos. Era mais poderosa que a paixão que persegue os homens e as mulheres com uma força desesperada, para se unirem, a amizade não podia levar à desilusão, porque não queria nada do outro, podia-se matar o amigo, mas a amizade que se formou na infância entre duas pessoas, talvez nem a morte a pudesse matar: a sua recordação continua a viver na consciência das pessoas, como a recordação de um acto heróico silencioso. E realmente, é um acto heróico, no sentido fatal e tácito da palavra, sem o embate de saberes e espadas, um acto heróico, como qualquer atitude humana que é desinteressada."
in As velas ardem até ao fim, Sándor Márai

domingo, novembro 02, 2008

insensatez