quarta-feira, setembro 26, 2007

"you' ve got to fight for a reason, what's your reason?"

( The Sunshine Underground, Borders)

terça-feira, setembro 25, 2007

voos e quedas

Num tempo aparentemente irreal, tirado de uma memória que não a minha, vivia uma criança num denso subúrbio da capital. Juntamente com os outros meninos do bairro, brincava na rua, ainda livre dos medos, das inseguranças, dos perigos.
Os meninos eram mais velhos e as brincadeiras despertavam sempre o olhar da criança, que os observava empoleirada na cadeira junto à janela do rés-do-chão. Naquele dia, eles saltavam por cima da enorme escadaria paralela ao prédio... voavam, assim parecia à criança, que com a coragem inconsciente dos quatro anos decidiu que também era capaz da proeza. Assim, apesar das vozes contrárias e protectoras dos meninos mais velhos, a criança tomou balanço, correu e.... saltou.
Voava! Pelo menos durante os três dos cinco degraus da escadaria, no quarto foi abatida e caiu. A chorar, com o joelho aberto e ensaguentado, lá foi para casa, com um disfarçado orgulho.
(imagem de Edward Gorey)

domingo, setembro 23, 2007


mar de prata
que reflectes um fim de tarde qualquer
nas ondas trazes as incertezas
no horizonte espelhas desejos
e qual oráculo te questionam
e o que virá a seguir?
(foto por Contradições)

terça-feira, setembro 18, 2007

Nada a Zero

Um certo sentimento niilista deu à costa e não sei o que fazer com ele

O tudo que era para mim no nada se transfigurou

Dois não fazem um todo

E o todo não implica ninguém

O tal e o certo alguém foram o zero na terra do nunca

E o agora já não tem tempo…

Alguém encontrou o rumo

Aqui perdeu-se o chão

Além é o nada

Aquém é o tudo

Nada é o meu mundo,

Zero! Perdi eu…

segunda-feira, setembro 17, 2007

"Tu disseste"


Tu disseste "quero saborear o infinito"

Eu disse "a frescura das maçãs matinais revela-nos segredos insondáveis"

Tu disseste "sentir a aragem que balança os dependurados"

Eu disse "é o medo que nos vem acariciar"

Tu disseste " eu também já tive medo. muito medo. recusava-me a abrir a janela, a tranpôs o limiar da porta"

Eu disse "acabamos a gostar do medo, do arrepio que nos suspende a fala"

Tu disseste "um dia fiquei sem nada. um mundo inteiro por descobrir"

Eu disse "..."


Eu disse "o que é que isso interessa?"

Tu disseste "...nada"


Tu disseste "agora procuro o desígnio da vida. às vezes penso encontrá-lo num bater de asas, num murmúrio trazido pelo vento, no piscar de um néon. escrevo páginas e páginas a tentar formalizá-lo. depois queimo tudo e prossigo a minha busca"

Eu disse "eu não faço nada. fico horas a olhar para uma mancha na parede"

Tu disseste "e nunca sentiste a mancha a alastrar, as suas formas num palpitar quase imperceptível?"

Eu disse "não. a mancha continua no mesmo sítio, eu continuo a olhar para ela e não se passa nada"

Tu disseste "e no entanto a mancha alastra e toma conta de ti. liberta-te do corpo. tu é que não vês"

Eu disse " o que é que isso interessa?"

Tu disseste "... nada"


( letra: Mão Morta; imagem: huene diveres)

sábado, setembro 15, 2007

dançando

( Les Freds)



Rodopio em torno de mim mesma,


dançando aquela música com a letra de sempre;


rodo à volta do passado, girando no presente,


à procura da saída do círculo, à procura do futuro...

quarta-feira, setembro 12, 2007

Tears for affairs



Shedding tears for affairs
I’m a funny little thing
I can tell you this for nothing
Affairs don’t win

Can you handle one more dirty secret?
One more dirty night?
Is it true what they say?
Will it make us go blind?

You had to drive
Look me in the eye
Whisper "don’t cry"

I’ll take an interest in Illustration
It should be a laugh
Your words are with me still
They whisper in the grass

Shedding tears for affairs
I’m a stupid little thing
I can tell you this for nothing
You won’t win

You had to drive
(I didn’t want to)
Look me in the eye
(I found it hard to)
Whisper "don’t cry"
(I had to whisper "don’t cry")
So I cried

( Camera Obscura)

segunda-feira, setembro 10, 2007

a banda sonora da festa



Impressionantes...!!


Roncos do Diabo

os momentos da festa

a animação...

a música....

a arte....



o fogo de artifício....



as pessoas...





a comida...

por Contradições

quinta-feira, setembro 06, 2007

num tempo distante, numa terra longínqua...


por Contradições

terça-feira, setembro 04, 2007

ruas

Nas ruas de calçada íngreme e escorregadia
Dei por mim à procura de um sinal
Por entre o musgo e a terra
As ruas não são oráculos
E a calçada não tem visões
Por isso caminhei em direcção ao rio
Procurando respostas sem fim
A água tinha secado
E o leito estéril nada dizia.
Voltei às ruas
Olhei para cima
Nos telhados passeavam gatos pretos luzidios
O sinal de má fortuna
Faltavam as escadas e o espelho partido.
As escadas já foram subidas e descidas tantas vezes
E o espelho já me disse que a bela não sou eu.
Portanto continuo a seguir as ruas de calçada íngreme
Esquecendo-me das respostas e buscando perguntas que eu saiba responder.

segunda-feira, setembro 03, 2007

passagens II

" E assim sou, fútil e sensível, capaz de impulsos violentos e absorventes, maus e bons, nobres e vis, mas nunca de um sentimento que subsista, nunca de uma emoção que continue, e entre para a substância da alma. Tudo em mim é a tendência para ser a seguir outra coisa; uma impaciência da alma consigo mesma, como uma criança inoportuna; uma desassossego sempre crescente e sempre igual."
in Livro do desassossego, composto por Bernardo Soares(...), de Fernando Pessoa, Assírio &Alvim

domingo, setembro 02, 2007

re-

vira e revira, o ano passa, repassa e parece sempre que sou perseguida por esse prefixo de repetição. setembro é o mês que começa com confiança e termina em desespero, pelo menos assim tem sido nos últimos.... seis anos?!. estou a ficar cansada mas dizem que quem corre por gosto, não cansa. por isso vou continuar a correr, com a confiança que o prefixo será um dia eliminado.