quinta-feira, junho 28, 2007

" Errar é humano"

Por que motivo sou eu tão humana?

quarta-feira, junho 27, 2007

insânia ou insónia?

Dama e o vagabundo…
O cão late,
rola e rebola,
vermelhas garras
esperam o momento,
uiva o vento,
bufa a paciência perdida:
aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
quem a agarre,
está louca e gane
(como o cão)…
É demasiado o convívio,
Dias a fio fechada
À espera de quê?
Do príncipe encantado?
Mas tem quantos anos?
Ah…! É verdade, estamos nos contos de fada…
Prefiro o barba azul, pelo menos não anda em cavalos brancos
Lailailailailailai….
Dorme….
O cão!
Ainda funcionam, os contos de fada!

estar sempre presente


o conto antigo da Gata Borralheira,

o João Ratão e o Barba Azul e os 40 Ladrões,

e depois o Catecismo e a história de Cristo

e depois todos os poetas e filósofos;

e a lenha ardia na lareira quando se contavam contos,

o sol havia lá fora em dias de destino,

e por cima da leitura dos poetas as árvores e as terras...

só hoje vejo o que é que aconteceu na verdade.

que a lenha ardida, exactamente porque ardeu,

que o sol dos dias destino, porque já não há,

que as árvores e as terras (para além das páginas dos poetas)...-

que disto tudo só fica o que nunca foi:

porque a recompensa de não existir é estar sempre presente.


Alberto Caeiro, Poesia, Assírio & Alvim

(imagem: ilustrações de Julie Morstad)

segunda-feira, junho 25, 2007


"como sabem, sonhar com o mar é sonhar com as lágrimas, e não as lágrimas leves dos momentos felizes, mas as lágrimas de qualquer tristeza que está para chegar..."


Quantas madrugadas tem a noite, Ondjaki

quarta-feira, junho 20, 2007

red right hand

terça-feira, junho 19, 2007

Pouco me importa.
Pouco me importa o quê? Não sei: pouco me importa.

Alberto Caeiro, Poesia, Assírio & Alvim

segunda-feira, junho 18, 2007

dias molhados I

os dias molhados
de pés na lama
risada da criança
e gentileza do lavador de carros
"professóra ca podê molhá pés"
ou qualquer frase parecida
que o tempo apaga da memória
palavras e pronúncias doces

quarta-feira, junho 13, 2007

noite de festa





















segunda-feira, junho 11, 2007

acordar


um dia acordas e já lá não estás, desapareceste das páginas reescritas pelo tempo, eu fico sem saber se hei-de comunicar o desaparecimento ou regozijar-me pela liberdade momentânea. de qualquer das formas o alívio é agradável, sabe bem respirar... poder voltar a escrever em páginas brancas, imaculadas, sem manchas de lágrimas, só com resquícios de risos que ecoam através das palavras agora invisíveis. tu continuas por esses sonos e sonhos, mas cada vez mais profundos. todos os dias eu acordo mais um pouco desse sono.

(imagem: dance me to the end of love)

quinta-feira, junho 07, 2007

"quantas madrugadas tem a noite"

"Uma noite, quantas madrugadas tem? Andas a contar? Eu não. Lhes apanho só, conforme lhes vejo e sinto. Atrevo: uma só noite tem bué de madrugadas; cada uma dessas madrugadas tem bué de brilhos. Confesso-me aqui, nos lábios da sinceridade: gosto muito disso- acreditar no impossível das palavras, lhes maltratar no português delas, ser livre na boca das estórias e me deixar tar aqui, sentado dentro de mim, abismático. E sonhar!, sonhar até chegar nesse quintal onde dentro de mim nascem barulhos e não só: nascem brilhos. Vejo búzios que riem à toa e aprendo: posso descansar as vozes como se fossem conchas de pousar na areia depois de lhes apanhar numa noite de lua brilhante. Depois do barulho das vozes os búzios se calam e eu, no respeito, me calo também."
Quantas madrugadas tem a noite, Ondjaki, Caminho- Outras Margens