sexta-feira, abril 27, 2007

SENHAS
Eu não gosto do bom gosto
eu não gosto do bom senso
eu não gosto dos bons modos
não gosto
eu aguento até rigores
eu não tenho pena dos traídos
eu hospedo infractores e banidos
eu respeito conveniências
eu não ligo pra conchavos
eu suporto aparências
eu não gosto de maus tratos
mas o que não gosto é do bom gosto
eu não gosto do bom senso
eu não gosto dos bons modos
não gosto
eu aguento até os modernos
e os seus segundos cadernos
eu aguento até os caretas
e as suas verdades perfeitas
o que eu não gosto é do bom gosto
eu não gosto do bom senso
eu não gosto dos bons modos
não gosto
eu aguento até os estetas
eu não julgo competência
eu não ligo pra etiqueta
eu aplaudo rebeldias
eu respeito
eu compreendo piedades
eu não condeno mentiras
eu não condeno vaidades
o que eu não gosto é do bom gosto
eu não gosto do bom senso
não, naõ gosto dos bons modos
não gosto
eu gosto dos que têm fome
dos que morrem de vontade
dos secam de desejo
dos que ardem
( adriana calcanhoto)

quinta-feira, abril 26, 2007

RIR,ROER

E se fôssemos rir,
rir de tudo, tanto,
que à força de rir
nos tornássemos pranto,


Pranto colector
do que em nós sobeja?
No riso, na dor,
que o homem se veja.


Se veja disforme,
se disforme for.
Um horror enorme?
Há outro maior...


E se não houver,
o horror é nosso.
Põe o dente a roer,
leva o dente ao osso!

Alexandre O'Neill, Poesia Completa, Assírio & Alvim

quarta-feira, abril 25, 2007

25 DE ABRIL


terça-feira, abril 24, 2007

A importância de se escrever "variante"

A importância da palavra variante era-me desconhecida. Podemos argumentar que todas as as palavras são importantes ou até mesmo imprescindíveis, pois a mais insignificante pode alterar toda a coerência de um texto, pode mudar uma intenção comunicativa, transformar um acto ilocutório. Mas depende sempre do contexto.

Variante :


do Lat. variante


adj. 2 gén.,
que varia;
variável;
inconstante;
diferente;


s. m.,
diferença;
variação;
diversidade;
modificação;
cambiante;
ramal de uma via de comunicação, cujo estudo é feito por uma directriz diversa da do projecto primitivo;
diz-se de cada uma das versões escritas ou faladas de um texto ou narrativa.


Neste caso, a palavra variante foi a culpada do meu estado inválido, ou melhor a sua ausência. Ah! Estava a esquecer-me, o scroll também serviu de bode expiatório!
Não adoram preciosismos?
E já agora, desculpem -me a ignorância... mas o que é o scroll?

segunda-feira, abril 23, 2007

por tua conta e risco

A incompetência e incongruência alheia sempre me causaram espécie, especialmente quando prejudica o desempenho dos outros. Mais do que o desempenho, esta falta de cuidado colocou em risco o meu futuro profissional ( podem perguntar qual futuro...), bem sei que estou a dramatizar, mas a forma como se desenrola todo o actual processo de candidatura tem como objectivo a exclusão de candidatos e não a sua colocação...
Como a minha situação presente é inválida ( sim, tornei-me inválida de um dia para o outro), tenho agora um prazo de aperfeiçoamento, contudo ( atenção aos incautos) mesmo que me re-transforme em válida, há sempre a possibilidade de a minha candidatura ser excluída, pois devido ao programa, a candidatura tornar-se-á inconsistente, pelo que terei de reclamar.
Desta forma prevejo muita irritação, transtorno e mais uns fios brancos...
Valerá a pena tanto?

quinta-feira, abril 19, 2007

Cinetismo

(Jesús-Rafael Soto, Penetrable, 1997)

o movimento oscilante da memória agita-se em consonância com o movimento pautado pelos sons que a rodeiam, penetra lentamente nesse mundo, a medo, tacteando as sombras e os objectos inertes, tentando escapar ilesa.
do outro lado avista apenas vultos que se agitam ao sabor do vento e procura alcançá-los, porque eles parecem ser o tudo e o nada que deseja.

quarta-feira, abril 18, 2007


Estrela do Mar


Numa noite em que o céu tinha um brilho mais forte

E em que o sono parecia disposto a não vir

Fui estender-me na praia, sózinho, ao relento

E ali longe do tempo, acabei por dormir
Acordei com o toque suave de um beijo

E uma cara sardenta encheu-me o olhar

Ainda meio a sonhar perguntei-lhe quem era

Ela riu-se e disse baixinho: estrela do mar



"Sou a estrela do mar só a ele obedeço

Só ele me conhece, só ele sabe quem sou

No princípio e no fim

Só a ele sou fiel e é ele quem me protege

Quando alguém quer à força

Ser dono de mim..."



Não sei se era maior o desejo ou o espanto

Só sei que por instantes deixei de pensar

Uma chama invisível incendiou-me o peito

Qualquer coisa impossível fez-me acreditar
Em silêncio trocámos segredos e abraços

Inscrevemos no espaço um novo alfabeto

Já passaram mil anos sobre o nosso encontro

Mas mil anos são pouco ou nada para estrela do mar



"Estrela do mar

Só a ele obedeço

Só ele me conhece, só ele sabe quem sou

No princípio e no fim

Só a ele sou fiel e é ele quem me protege

Quando alguém quer à força

Ser dono de mim..."

(letra:Jorge Palma; imagem: bar du solei,Henry Clarke, Vogue)

terça-feira, abril 17, 2007

DIZ-ME....

quanto tempo olhas para uma flor e sentes o seu perfume?
quanto tempo olhas para um campo e te deitas na relva?
quanto tempo olhas para uma árvore e trepas os seus ramos?
quanto tempo olhas para o rio e mergulhas no seu leito?
quanto tempo mais vais continuar a olhar para fora e esquecer-te de ti?


wondering

(Andy Warhol)

segunda-feira, abril 16, 2007

CHEIRA A PRIMAVERA

TRANSPIRA-SE VERÃO

SENTEM-SE OS SENTIDOS

OS CINCO MAIS UM

QUE FAZ O SEXTO...

O SEXTO SENTIDO DESPERTO

E ESPERTO

domingo, abril 15, 2007

de cortar à faca

( Andy Warhol)

quinta-feira, abril 12, 2007

no surprises

Tenho e não tenho

tenho saudades de não ter saudades de não ter medo de não ter ciúmes de não ter vontade de não sentir de não gostar de não tremer de não chorar de não gritar de não voltar de não escrever de não querer de não te ter de não ter tenho saudades tenho saudades tenho saudades tenho saudades tenho tenho tenho tenho eu eu eu eu eu eu eu

quarta-feira, abril 11, 2007

should they?

(Andy Warhol)

terça-feira, abril 10, 2007

O POEMA POUCO ORIGINAL DO MEDO

O medo vai ter tudo
pernas
ambulâncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis

Vai ter olhos onde ninguém os veja
mãozinhas cautelosas
enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no tecto
no murmúrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos

O medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
óptimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projectos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários
(assim assim)
escriturários
(muitos)
intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
com certeza a deles

Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes
e angustiados

Ah o medo vai ter tudo
tudo

(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)

*
O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos

Sim a ratos

Alexandre O' Neill, Poesia Completa, Assírio & Alvim

segunda-feira, abril 09, 2007

Chiu! It's all so quiet, it's all so still...

( por Contradições)

Enjoy the silence

Silêncio

rosto sério e fechado e silencioso,
assim percorremos as ruas desertas,
desconhecidos que se viram ali pela primeira vez
só o ruído da renúncia e da negação perturba o silêncio.
o silêncio interrompeu algo,
o quê,
não sei...
o silêncio, por vezes, é tão doloroso.

sábado, abril 07, 2007

Impõe-se o silêncio!

domingo, abril 01, 2007

MENTIRAS

ENGANOS

VIGARICES

BURLAS

ILUSÕES

ERROS

e que mais?