“Ela nunca foi feliz…”, disse ele. Assim, como se fosse dele a prerrogativa de afirmar a sua não-felicidade. A sua existência foi negada num segundo, tal como toda a sua descendência. A sua passagem resumida a uma frase… Um conjunto de palavras “ela”….”nunca” …. “foi”…”feliz”…
A verdade só ela o soube, só ela o afirmou para si, já que nunca foi de exteriorizar o que verdadeiramente sentia. As verdades que criaram sobre ela são como muros que crescem à volta de uma casa e lhe tapam o horizonte e a luz. Memórias construídas por partículas soltas, que se cosem umas às outras, utilizando linhas que já costuraram outras histórias, entrelaçando-se assim uma vida noutra.