terça-feira, dezembro 18, 2007

e assim o silêncio se instalou...

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Butterfly Factory

(© Julien Pacaud 2007 )

sexta-feira, dezembro 07, 2007

"Ana de Amsterdam"



Sou Ana do dique e das docas

Da compra, da venda, das trocas de pernas

Dos braços, das bocas, do lixo, dos bichos, das fichas

Sou Ana das loucas

Até amanhã

Sou Ana

Da cama, da cana, fulana, sacana

Sou Ana de Amsterdam


Eu cruzei um oceano

Na esperança de casar

Fiz mil bocas pra Solano

Fui beijada por Gaspar


Sou Ana de cabo a tenente

Sou Ana de toda patente, das Índias

Sou Ana do oriente, ocidente, acidente, gelada

Sou Ana, obrigada

Até amanhã, sou Ana

Do cabo, do raso, do rabo, dos ratos

Sou Ana de Amsterdam


Arrisquei muita braçada

Na esperança de outro mar

Hoje sou carta marcada

Hoje sou jogo de azar


Sou Ana de vinte minutos

Sou Ana da brasa dos brutos na coxa

Que apaga charutos

Sou Ana dos dentes rangendo

E dos olhos enxutos

Até amanhã, sou Ana

Das marcas, das macas, da vacas, das pratas

Sou Ana de Amsterdam
(letra de Chico Buarque/ imagem-. Hygieia,de Gustav Klimt)

quarta-feira, dezembro 05, 2007

as grey as the sky...

segunda-feira, dezembro 03, 2007

elephant gun

E assim se deu uma volta...
E assim chegámos ao ponto de partida,
E assim se retoma a vida...

quarta-feira, novembro 28, 2007

She's lost control

Confusion in her eyes that says it all.
She's lost control.
And she's clinging to the nearest passer by,
She's lost control.
And she gave away the secrets of her past,
And said I've lost control again,
And of a voice that told her when and where to act,
She said I've lost control again.
And she turned around and took me by the hand
And said I've lost control again.
And how I'll never know just why or understand~
She said I've lost control again.
And she screamed out kicking on her side
And said I've lost control again.
And seized up on the floor,
I thought she'd die.
She said I've lost control.
She's lost control again.
She's lost control.
She's lost control again.
She's lost control.
Well I had to phone her friend to state my case,
And say she's lost control again.
And she showed up all the errors and mistakes,
And said I've lost control again.
But she expressed herself in many different ways,
Until she lost control again.
And walked upon the edge of no escape,
And laughed I've lost control.
She's lost control again.
She's lost control.
She's lost control again.
She's lost control.
I could live a little better with the myths and the lies,
When the darkness broke in,
I just broke down and cried.
I could live a little in a wider line,
When the change is gone, when the urge is gone,
To lose control. When here we come

joy division

terça-feira, novembro 27, 2007

Vício de matar

Para onde há-de ir billy the kid?
Billy não sabe para onde há-de ir
Persegue a morte na pessoa dos outros
quando era nele que ele a devia afinal perseguir

Mata inimigos
Viver é para ele matar
Procura um refúgio mas nunca sabe
onde se há-de refugiar

Sabeis qual é o seu maior inimigo?
É ele o seu maior inimigo
Matam-lhe a gente de quem ele gosta
e ele gosta de coisas simples
como de ver ondular o trigo

E billy morre billy está salvo
É ver aquela mão a abrir
Sobre si próprio concentrado
de tudo o mais alheado
billy já tem para onde fugir

O caminho da ida e o caminho da volta
não são afinal o mesmo caminho
Billy conhece agora o destino
Sempre inquieto sempre a correr
amou a vida como se amar fosse morrer
Sabe-lhe bem ser de novo menino

Billy the kid para onde há-de ir?
Não o sabia bastava um gesto
Mas billy que estava cansado e gasto
leva um tiro e então já sabe
para onde é que sempre quisera ir
Billy the kid nunca soubera o que era fugir
e a morte mãe o recebe

Billy que nunca soubera fugir
nem mesmo pergunta para onde há-de ir

Ruy Belo

segunda-feira, novembro 26, 2007

bang bang



domingo, novembro 25, 2007

verdades e mentiras

Tenho saudades de saber procurar no âmago das questões a verdade de mim, fugi há meses e a partir daí não voltei a reencontrar-me. Vagueio por esses trilhos abertos à força, o corpo move-se, articulando os membros num ritmo lento, como se filmado em câmara lenta, tão lenta como as lágrimas que rolam cara abaixo, em momentos de lucidez ébria. Os trilhos, às vezes, transformam-se em auto-estradas, e o corpo, esse assume a velocidade do vento e da música. A ausência é total, a resistência nula… deixo-me ir e flutuo sem saber e volto a perder a verdade de mim, quando tudo não passa de uma grande mentira. A minha grande mentira.

quinta-feira, novembro 22, 2007

tormentas nocturnas



Esta noite, o passado e o futuro uniram-se para me atormentar. Felizmente, não passou de um sonho mau...

quarta-feira, novembro 21, 2007

Hoje voltaram a lembrar-me que tudo é relativo, tão relativo...

persona ou personnage


"Não vai acabar nunca. (...) Sem ele nós não somos nada, mas o paradoxo é que nós, as criaturas imaginadas por uma outra mente, sobreviveremos à mente que nos criou, já que, a partir do momento em que somos lançadas no mundo, continuamos a existir para sempre, e as nossas histórias continuam a ser contadas, mesmo depois da nossa morte."
in Viagens no scriptorium, Paul Auster

terça-feira, novembro 20, 2007

navegar é preciso

O Barco!
Meu coração não aguenta
Tanta tormenta, alegria
Meu coração não contenta
O dia, o marco, meu coração
O porto, não!...

Navegar é preciso
Viver não é preciso...

O Barco!
Noite no teu, tão bonito
Sorriso solto perdido
Horizonte, madrugada
O riso, o arco da madrugada
O porto, nada!...

Navegar é preciso
Viver não é preciso

O Barco!
O automóvel brilhante
O trilho solto, o barulho
Do meu dente em tua veia
O sangue, o charco, barulho lento
O porto, silêncio!...

Navegar é preciso
Viver não é preciso...

Os Argonautas, Caetano Veloso

segunda-feira, novembro 19, 2007

Outono

outono
cor de inverno
entre o azul frio
o vermelho alaranjado das folhas caídas
e o cinzento escuro da água cadente
passa o vento
voam as memórias das personagens
que nos habitam
fugimos na velocidade dos motores
em busca do canto que ainda protege

quinta-feira, novembro 15, 2007







terça-feira, novembro 13, 2007

"Control", o filme

segunda-feira, novembro 12, 2007

quinta-feira, novembro 08, 2007

loosing it

- Faz “crcr”,- diz o rapaz esboçando um sorriso, faz “crcr”…
Ela limita-se a produzir um esgar atónito, encerrando as barreiras daquilo que julgava ser o seu mundo protegido e são. “Crcr” tornou-se a onomatopeia para a paranóia crescente, a consciência de…
- Toma atenção! Toma atenção! – gritou o rapaz, despertando- a assim para a realidade, aquela que agora estava à sua frente.


Lembra-te de tudo o que te disseram, as armas com que te defenderás dependem da tua capacidade de reter as pertinências dos outros.

(imagem: Julie Morstad)