quinta-feira, novembro 02, 2006

Soneto da espera

Que bem conheço a espera e o seu lanço!
Ao princípio é a cadeira e o balanço,
o uísque, livro, fumo azul no ar.
É a espera projecto de esperar.

Um desenterrato rói esse tabique
e sobre o tempo-antes uma fresta
se abre-fecha para maior abrir-se.
O tempo- agora já se desespessa

e o tempo-antes cresce. Qual balanço,
uísque, livro, fumo azul - a espera!
Adulterado tempo-agora, avanço
da paixão em demência que acelera

por ilusório tempo: o de abolir,
contigo hoje, o antes e o porvir.
Alexandre O' Neill

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