quinta-feira, abril 26, 2007

RIR,ROER

E se fôssemos rir,
rir de tudo, tanto,
que à força de rir
nos tornássemos pranto,


Pranto colector
do que em nós sobeja?
No riso, na dor,
que o homem se veja.


Se veja disforme,
se disforme for.
Um horror enorme?
Há outro maior...


E se não houver,
o horror é nosso.
Põe o dente a roer,
leva o dente ao osso!

Alexandre O'Neill, Poesia Completa, Assírio & Alvim

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