“Ela nunca foi feliz…”, disse ele. Assim, como se fosse dele a prerrogativa de afirmar a sua não-felicidade. A sua existência foi negada num segundo, tal como toda a sua descendência. A sua passagem resumida a uma frase… Um conjunto de palavras “ela”….”nunca” …. “foi”…”feliz”…
A verdade só ela o soube, só ela o afirmou para si, já que nunca foi de exteriorizar o que verdadeiramente sentia. As verdades que criaram sobre ela são como muros que crescem à volta de uma casa e lhe tapam o horizonte e a luz. Memórias construídas por partículas soltas, que se cosem umas às outras, utilizando linhas que já costuraram outras histórias, entrelaçando-se assim uma vida noutra.
1 comentário:
que tens tu a dar
a quem nao sabe procurar?
que tens tu a parecer
a quem quer prender?
a felicidade dos moveis
quando se limpa o po
ve se no brilho
dos cantos sos
o risco que fica
depois de friccionar
e uma brecha que agita
o que ficou por entrar
a arma dura arabesca
chama o soldado de chumbo
queima a tabua dada
pesado, cai ao fundo
o misterio do mar
ao largo da praia
e menos que subjectivar
um nadar de raia
a verdade e a presenca
do acto de id entificar
a alma que canta intensa
uma danca para esgotar
querer e voar
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