Exercício 3
Sentou-se no tear, como lhe tinham ensinado, e começou a entrelaçar os fios. Lentamente as cores, tal como as suas mãos, bailarinas exímias, dançavam e geravam movimentos, formas e feitios.
Antigamente as suas mãos eram rugosas, as enxadas não podiam esperar. Agora que casara não precisava de trabalhar a terra, os seus irmãos mais novos herdaram essa obrigação.
Sua sogra ensinara-lhe como fiar a lã, com a roca e o fuso, e depois, mais tarde, como transformar aqueles fios em tapeçarias. Mas o toque desagradável da lã em tempos de calor perturbava-a, deixava-a inquieta, começava a sentir os seus pés presos nos pedais, um calor na nuca e a cabeça a estalar.
Não tinha saudades da enxada, mas do céu aberto, dos campos e dos pássaros. Na sua cabeça rodopiavam imagens tecidas pela memória. Respirou fundo, bebeu um pouco de água e sorriu, ao pensar na vida que tinha dentro de si.
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