educação
Confap propõe três professores logo a partir do 1º ciclo
A Confederação Nacional das Associações de Pais propôs hoje que as crianças passem a ter três professores para áreas distintas logo no 1º ciclo do ensino básico, o que corresponde a recomendações feitas pelo Conselho Nacional de Educação.
«A Confap defende que no 1º ciclo, logo a partir do seu 1º ano, deverá ter um professor de línguas, outro de matemática e outro de expressões, como a musical ou artística», defendeu à agência Lusa o presidente da Confederação, Albino Almeida.
Um estudo do Conselho Nacional de Educação (CNE) divulgado segunda-feira recomenda a fusão dos 1º e 2º ciclos do ensino básico (antigos escola primária e ciclo preparatório) para acabar com «transições bruscas», com apenas um professor, progressivamente apoiado por outros docentes em pelo menos duas áreas.
Segundo o estudo «A Educação das crianças dos 0 aos 12 anos», este ciclo de seis anos «visaria neutralizar as transições bruscas identificadas ao nível da relação dos alunos com o espaço-escola, as áreas e os tempos de organização do trabalho curricular, a afiliação dos professores, o seu papel de aluno e com o desenvolvimento gradual das competências esperadas».
A vantagem destes estudos é que convergem com a política de redução de professores no sistema de ensino português que tem sido aplicada. Verifica-se na redução de casos de alunos com NEE (Necessidades Educativas Especiais), o que faz aumentar as turmas de 20 para 30 alunos, na redução dos pares pedagógicos nas áreas curriculares não disciplinares no 3º ciclo, na mudança dos apoios pedagógicos acrescidos para a componente não lectiva (sim, porque os apoios não são aulas, segundo os nossos dirigentes) e agora nesta brilhante proposta: um professor único no 1º e 2º ciclos. Esta última vai reduzir drasticamente o número de professores, os alunos do 2º ciclo têm dez disciplinas, sendo que em três destas são dois os professores que os acompanham. Não é preciso ser nenhum génio a matemática para perceber o que vai causar esta fusão.
O argumento apresentado pelos autores do estudo, o atenuar da pressão sentida pelos alunos nesta transição, é mais um prego neste grande caixão que é a educação, cada vez mais preocupada em atenuar as dores e dramas dos alunos e descuidando o que é fundamental: a questão do ensino/ aprendizagem. É preciso repensar os curriculos dos alunos, reorganizá-los, adaptar instrumentos, equipar escolas, formar (contínua e gratuitamente) professores....etc etc etc
Na minha modesta opinião, os alunos não são esses seres frágeis e incapazes em que estes e outros estudos os têm transformado. Eu acredito profundamente que algumas crianças se sintam deslocadas ao chegar ao 2º ciclo, mas penso que o principal problema está relacionado com a questão do insucesso escolar, pois muitas vezes estes meninos são integrados em turmas de tri-bi-repetentes, cuja faixa etária nada tem a ver com aqueles, causando muitas vezes problemas sérios dos quais ninguém fala. Mas esta questão tem de ser abordada com seriedade, empenho e recursos, que é o que falta mais. É preciso dar saída a estes alunos, e muito provavelmente não será o ensino regular o mais apto a fazê-lo. Ou seja, é uma outra questão...
Voltando à primeira, no 2ºciclo é suposto que se aprofundem os conhecimentos adquiridos no 1º ciclo, e é por essa razão que têm diferentes professores, formados nessas áreas específicas ( Ciências, Inglês, Matemática ...).
E o que acontecerá a seguir? Os alunos do 2º ciclo não vão sentir a "pressão da transição" para o 3º ciclo? E os deste ciclo para o secundário? E na faculdade??
Ainda perguntam o porquê do desânimo...
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