quinta-feira, julho 15, 2010

Exercício 2

Meses, anos, décadas a coleccionar panos, paninhos e panais, enxoval guardado religiosamente no bafio do tempo. Ali estava o baú, qual caixa de Pandora.
Antonieta não queria morrer solteirona, mas o tempo passava e ela ainda não conhecera a sua alma gémea. Na realidade, qualquer alma lhe servia, pressionada pelos fios brancos que lhe decoravam a cabeça.
Francisco José, o merceeiro, viúvo e honesto, parecia fazer-lhe a corte, mas o que parece nem sempre é e Antonieta era uma mulher séria.
- Bom-dia, menina Antonieta, com tem passado?
- Bem, muito obrigada.
-Aquie tem as suas compras, fiz uma atenção no preço...
- Agradecida.

*
- Bom-dia, menina Antonieta! Gosta de ovos de codorniz? Tenho ali uns bem fresquinhos!
- Agradecida, senhor Francisco José.
Pois, o senhor Francisco José era de facto atencioso.
Talvez um dia, junto das maçãs e da barra de sabão azul encontrasse uma caixa e dentro da pequena caixa estivesse o ambicionado anel de noivado.

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