segunda-feira, março 10, 2008

8 de Março












(contradições)








Contra factos não há argumentos, éramos cem mil na rua, pela primeira vez unidos, todos... Pela dignidade, pelo profissionalismo, por uma escola melhor.





sexta-feira, março 07, 2008

sempre actual...

(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)


Alexandre O'Neill

quarta-feira, março 05, 2008

coisas imperceptíveis

(Julien Pacaud)

terça-feira, março 04, 2008

Assim de repente

descubro o quão baixa é a minha tolerância à crítica...

segunda-feira, março 03, 2008

Sobre a lógica e a emoção

" O coração tem razões que a própria razão desconhece"
Blaise Pascal


A questão coloca-se no tipo de intenções que as "razões" encerram...

domingo, março 02, 2008

E...

... como é que se pode ter saudades do que nunca se conheceu?

sábado, março 01, 2008

soon this space will be too small

soon this space will be too small
and i'll go outside

to the huge hillside
where the wild winds blow
and the cold stars shine


i'll put my foot
on the living road
and be careed from here
to the heart of the world


i'll be strong as a ship
and wise as a whale
and i'll say the three words
that will save us all

soon this place will be too small
and i'll laugh so hard

that the walls cave in

then i'll die three times
and be born again
in a litle box
with a golden key
and a flying fish
will set me free

soon this space will be too small
all my veins and bones
will be burn to dust
you can throw me into
a black iron pot
and my dust will tell
what my flesh would not
soon this space will be too small
and i'll go outside
...


Lhasa, the living road

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Para lá do espelho...

(Effendi, Mulher)

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

alienação

acordo todos os dias para dormir mais outro
já não consigo distinguir o dia da noite
o torpor e a dormência são constantes
seja qual hora for
combate-se a inércia com a sonolência
e o resultado é o sonambolismo diário

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

moving on...

terça-feira, fevereiro 26, 2008

working

mergulhada entre cabeças decepadas e cidades destruídas
códigos secretos e mensagens em línguas ancestrais
cruzam-se na imaginação o passado e o futuro


viva a imaginação!

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

ciclos

" Muita água passou debaixo da ponte"


Hoje aplicou-se a várias e tristes realidades.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

cats on trees


(nalgures)

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

bucolismos

e de repente caía,
flutuando, sobre a copa frondosa da árvore velha
e mergulhava de um ramo largo para o ribeiro fresco e brilhante.
lá dentro abria os olhos e em redor a distorção causada pela água era enebriante
e segurava entre os dedos encarquilhados do frio os seixos, antes deitados no leito.
e tudo estava silencioso, nada se ouvia, nem mesmo a minha respiração.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

não vejo

não oiço

não falo

...

terça-feira, fevereiro 12, 2008


Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
à parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, para o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei que moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,

Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheco-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

Álvaro de Campos

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

sweeney todd


"there´s a whole in the world like a great black pit
and the vermin of the world inhabit it
and its morals aren´t worth what a pin can spit
and it goes by the name of london
at the top of the hole sit the previlaged few
making mock of the vermin in the lonely zoo
turning beauty to filth and greed... "



quinta-feira, fevereiro 07, 2008

"The missing chapter"

(© Julien Pacaud 2003)

ultimamente há capítulos que parecem desaparecer da minha vida, pequenas partículas que se evaporam nas páginas rasuradas...


segunda-feira, janeiro 28, 2008

"33 (thirty-three) is the natural number following 32 and preceding 34"

  • O trinta e três (33) é o número natural que segue o 32 e precede o 34.
  • É um número composto, que tem os seguintes factores próprios: 1, 3 e 11. É o décimo número sortudo.
  • Desde a antiguidade o número 33 vem sendo explorado pelas sociedades secretas.
  • O número refere-se à idade de Jesus e de Alexandre o Grande.
  • Na maçonaria refere-se ao grau máximo simbolicamente defendido na marca 33 na graduação de abertura do compasso (instrumento de medição de angulos ) ou em outras situações refere-se ao 66.
  • 33 é o nome de um filme.
  • É o número atómico do arsénio (As).
  • É o número de vertebras que o ser humano tem ao longo de sua coluna.

E a partir de hoje, o meu número.

in Wikipédia



quarta-feira, janeiro 16, 2008

terça-feira, janeiro 15, 2008

ano novo, vida nova?

Janeiro começou cheio de novidades profissionais: os pais vão poder assistir às minhas aulas, os meus colegas superiores vão poder assistir às minhas aulas,com o intuito de me avaliarem; o ministério e ministra, como não têm tempo de assistir às minhas aulas (o que por este andar até agradecia), vão examinar-me numa prova, constituída por várias componentes, nas quais vou ter de obter a classificação igual ou superior a 14 valores. Na escola tenho de obter um mínimo de Bom. É com estas condições que poderei continuar a substituir os colegas, que por motivos vários, têm de se ausentar da escola.
Neste país um bom cidadão, é um cidadão morto! Não está desempregado, não sobrecarrega a Segurança Social, não atrapalha as listas de espera dos hospitais, não é funcionário público e não é professor!
Nota pessoal: começar a procurar emprego.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

HOJE VEJO O MUNDO ASSIM:

... através de uma cortina.


(fotografia: Francisco Vidal)

sexta-feira, janeiro 04, 2008

civismo...ou falta dele!

senhoradecasacoleopardoemcarrotopodegamapuxadoâmagodosseusbrônquiosdejectoqueaterranapassadeirasortedopeãoqueestavaatento!

quinta-feira, janeiro 03, 2008

para além da razão

Ódio é destilado todos os dias a todas horas. Uns dizem que é falta do que fazer, outros dizem que é falta de amor. Eu não sei qual a razão do ódio despropositado, da provocação vã, mas ele está à espreita: onde menos se espera e da forma mais vil.

terça-feira, dezembro 18, 2007

e assim o silêncio se instalou...

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Butterfly Factory

(© Julien Pacaud 2007 )

sexta-feira, dezembro 07, 2007

"Ana de Amsterdam"



Sou Ana do dique e das docas

Da compra, da venda, das trocas de pernas

Dos braços, das bocas, do lixo, dos bichos, das fichas

Sou Ana das loucas

Até amanhã

Sou Ana

Da cama, da cana, fulana, sacana

Sou Ana de Amsterdam


Eu cruzei um oceano

Na esperança de casar

Fiz mil bocas pra Solano

Fui beijada por Gaspar


Sou Ana de cabo a tenente

Sou Ana de toda patente, das Índias

Sou Ana do oriente, ocidente, acidente, gelada

Sou Ana, obrigada

Até amanhã, sou Ana

Do cabo, do raso, do rabo, dos ratos

Sou Ana de Amsterdam


Arrisquei muita braçada

Na esperança de outro mar

Hoje sou carta marcada

Hoje sou jogo de azar


Sou Ana de vinte minutos

Sou Ana da brasa dos brutos na coxa

Que apaga charutos

Sou Ana dos dentes rangendo

E dos olhos enxutos

Até amanhã, sou Ana

Das marcas, das macas, da vacas, das pratas

Sou Ana de Amsterdam
(letra de Chico Buarque/ imagem-. Hygieia,de Gustav Klimt)

quarta-feira, dezembro 05, 2007

as grey as the sky...

segunda-feira, dezembro 03, 2007

elephant gun

E assim se deu uma volta...
E assim chegámos ao ponto de partida,
E assim se retoma a vida...

quarta-feira, novembro 28, 2007

She's lost control

Confusion in her eyes that says it all.
She's lost control.
And she's clinging to the nearest passer by,
She's lost control.
And she gave away the secrets of her past,
And said I've lost control again,
And of a voice that told her when and where to act,
She said I've lost control again.
And she turned around and took me by the hand
And said I've lost control again.
And how I'll never know just why or understand~
She said I've lost control again.
And she screamed out kicking on her side
And said I've lost control again.
And seized up on the floor,
I thought she'd die.
She said I've lost control.
She's lost control again.
She's lost control.
She's lost control again.
She's lost control.
Well I had to phone her friend to state my case,
And say she's lost control again.
And she showed up all the errors and mistakes,
And said I've lost control again.
But she expressed herself in many different ways,
Until she lost control again.
And walked upon the edge of no escape,
And laughed I've lost control.
She's lost control again.
She's lost control.
She's lost control again.
She's lost control.
I could live a little better with the myths and the lies,
When the darkness broke in,
I just broke down and cried.
I could live a little in a wider line,
When the change is gone, when the urge is gone,
To lose control. When here we come

joy division

terça-feira, novembro 27, 2007

Vício de matar

Para onde há-de ir billy the kid?
Billy não sabe para onde há-de ir
Persegue a morte na pessoa dos outros
quando era nele que ele a devia afinal perseguir

Mata inimigos
Viver é para ele matar
Procura um refúgio mas nunca sabe
onde se há-de refugiar

Sabeis qual é o seu maior inimigo?
É ele o seu maior inimigo
Matam-lhe a gente de quem ele gosta
e ele gosta de coisas simples
como de ver ondular o trigo

E billy morre billy está salvo
É ver aquela mão a abrir
Sobre si próprio concentrado
de tudo o mais alheado
billy já tem para onde fugir

O caminho da ida e o caminho da volta
não são afinal o mesmo caminho
Billy conhece agora o destino
Sempre inquieto sempre a correr
amou a vida como se amar fosse morrer
Sabe-lhe bem ser de novo menino

Billy the kid para onde há-de ir?
Não o sabia bastava um gesto
Mas billy que estava cansado e gasto
leva um tiro e então já sabe
para onde é que sempre quisera ir
Billy the kid nunca soubera o que era fugir
e a morte mãe o recebe

Billy que nunca soubera fugir
nem mesmo pergunta para onde há-de ir

Ruy Belo

segunda-feira, novembro 26, 2007

bang bang



domingo, novembro 25, 2007

verdades e mentiras

Tenho saudades de saber procurar no âmago das questões a verdade de mim, fugi há meses e a partir daí não voltei a reencontrar-me. Vagueio por esses trilhos abertos à força, o corpo move-se, articulando os membros num ritmo lento, como se filmado em câmara lenta, tão lenta como as lágrimas que rolam cara abaixo, em momentos de lucidez ébria. Os trilhos, às vezes, transformam-se em auto-estradas, e o corpo, esse assume a velocidade do vento e da música. A ausência é total, a resistência nula… deixo-me ir e flutuo sem saber e volto a perder a verdade de mim, quando tudo não passa de uma grande mentira. A minha grande mentira.

quinta-feira, novembro 22, 2007

tormentas nocturnas



Esta noite, o passado e o futuro uniram-se para me atormentar. Felizmente, não passou de um sonho mau...

quarta-feira, novembro 21, 2007

Hoje voltaram a lembrar-me que tudo é relativo, tão relativo...

persona ou personnage


"Não vai acabar nunca. (...) Sem ele nós não somos nada, mas o paradoxo é que nós, as criaturas imaginadas por uma outra mente, sobreviveremos à mente que nos criou, já que, a partir do momento em que somos lançadas no mundo, continuamos a existir para sempre, e as nossas histórias continuam a ser contadas, mesmo depois da nossa morte."
in Viagens no scriptorium, Paul Auster

terça-feira, novembro 20, 2007

navegar é preciso

O Barco!
Meu coração não aguenta
Tanta tormenta, alegria
Meu coração não contenta
O dia, o marco, meu coração
O porto, não!...

Navegar é preciso
Viver não é preciso...

O Barco!
Noite no teu, tão bonito
Sorriso solto perdido
Horizonte, madrugada
O riso, o arco da madrugada
O porto, nada!...

Navegar é preciso
Viver não é preciso

O Barco!
O automóvel brilhante
O trilho solto, o barulho
Do meu dente em tua veia
O sangue, o charco, barulho lento
O porto, silêncio!...

Navegar é preciso
Viver não é preciso...

Os Argonautas, Caetano Veloso

segunda-feira, novembro 19, 2007

Outono

outono
cor de inverno
entre o azul frio
o vermelho alaranjado das folhas caídas
e o cinzento escuro da água cadente
passa o vento
voam as memórias das personagens
que nos habitam
fugimos na velocidade dos motores
em busca do canto que ainda protege

quinta-feira, novembro 15, 2007







terça-feira, novembro 13, 2007

"Control", o filme

segunda-feira, novembro 12, 2007

quinta-feira, novembro 08, 2007

loosing it

- Faz “crcr”,- diz o rapaz esboçando um sorriso, faz “crcr”…
Ela limita-se a produzir um esgar atónito, encerrando as barreiras daquilo que julgava ser o seu mundo protegido e são. “Crcr” tornou-se a onomatopeia para a paranóia crescente, a consciência de…
- Toma atenção! Toma atenção! – gritou o rapaz, despertando- a assim para a realidade, aquela que agora estava à sua frente.


Lembra-te de tudo o que te disseram, as armas com que te defenderás dependem da tua capacidade de reter as pertinências dos outros.

(imagem: Julie Morstad)

terça-feira, novembro 06, 2007

E tudo o vento levou...

(imagem por tfavretto)

quinta-feira, outubro 25, 2007

A vida interior de Martin Frost






Como boa leitora e fã do escritor Paul Auster, fui ver o recente filme, A Vida Interior de Martin Frost, realizado por este e produzido por Paulo Branco.



As críticas ao filme não eram as melhores, mas nem sempre estas coincidem com os meus gostos, de modo que, após uma semana de preguiça, lá fui.



Depois de dez minutos de anúncios comerciais, começam as apresentações dos filmes em exibição e das estreias... eis senão quando.... um barulho de motor avariado e o filme começa a deteriorar-se, como se se estivesse a queimar lentamente... bem, depois..., depois foram dez minutos à espera que conseguissem arranjar a maquineta ( que de certo devia ter razão, têm sempre).



O filme. Opinião. Não sei bem... Um escritor apaixona-se pela sua musa inspiradora, uma francesa que está a fazer uma tese de Filosofia, para o que lê Berkely e Hume. A grande dúvida que se instala, em todos, personagens e público, é se a Claire Martin é real ou fruto da imaginação do Martin... bom a história perde-se pelo caminho, mas tem momentos muito interessantes, embora a personagem feminina ( ou a actriz, ainda não percebi) me irritasse, para musa era bastante prosaica...Falta referir que, como é óbvio, durante o filme houve um telemóvel que tocou insistentemente, com um toque polifónico musical bastante enervante e que ninguém desligava, provavelmente tentando passar despercebida...



quarta-feira, outubro 24, 2007

Será??

You Belong in London

You belong in London, but you belong in many cities... Hong Kong, San Francisco, Sidney. You fit in almost anywhere.
And London is diverse and international enough to satisfy many of your tastes. From curry to Shakespeare, London (almost) has it all!

terça-feira, outubro 23, 2007

segunda-feira, outubro 22, 2007

outono estival




Acordo, mais um dia de sol ao alto e calor estival... mais um dia... "Que bom!" - exclamam as pessoas avessas aos dias frios, cinzentos e chuvosos. "Mais um dia..." - resmungo eu, farta deste calor tão fora de época.


Domingo, no café, vendiam-se bolos.... Rei!! Quinta-feira, alguém anunciava que iam começar a ornamentar as ruas da cidade com as decorações de Natal! Todos os dias, na baixa, há castanhas assadas! E os termómetros marcam 28º...


Tenho saudades dos dias frios, talvez não tanto dos dias cinzentos, mas o outono assim não tem graça, nem se pode estar deprimido em condições!


(imagem aqui)

sexta-feira, outubro 19, 2007

viagens

©2006-2007 ~snul



Este coração foi visto pela última vez na paragem de autocarros, o destino é desconhecido e não se sabe se regressa. Boa viagem!

quarta-feira, outubro 17, 2007

analogias








a aranha tece a sua teia com precisão e eficácia, aguarda por uma presa incauta, que atraída por artifícios, acaba por cair na armadilha. incapaz de se soltar, é lentamente envolvida pelos sedosos fios da aranha, donde nunca mais se libertará.

quinta-feira, outubro 11, 2007

sons de infância

(foto aqui)

Hoje de manhã chegou até mim uma melodia que há muito não ouvia, olhei pela janela e lá estava ele, na sua bicicleta, o amolador de facas e tesouras.

Sorri.



quarta-feira, outubro 10, 2007

Voo Nocturno

Agora já não vejo o sol
nem o seu reflexo lunar
levo as asas nos bolsos
e o coração a planar
neste voo nocturno
não sei onde vou aterrar
Sinto as nuvens nos meus pulsos
e o leme sempre a consentir
são sempre os mesmo ossos
que eu insisto em partir
neste voo nocturno
só quero mesmo resistir
Neste voo nocturno sou mais leve do que o ar
neste voo nocturno não sei onde vou acordar
Em baixo há manchas no canal
mas eu não as quero ver
o aeroplano está frio
e os hélices a ferver
o nariz do avião
só obedece a quem quiser
Agora não existe nada
o meu motor " ao ralenti"
vou revendo em surdina
tudo o que vivi
neste voo nocturno
a madrugada vem aí
Jorge Palma, Voo Nocturno

terça-feira, outubro 09, 2007

As palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.


Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.


Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.


Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?


Eugénio de Andrade

segunda-feira, outubro 08, 2007

black mirror

Espelho meu ...?

enumerações

Pára-olha-foca-vê-chora-anda-corre-ri-dorme-acorda-levanta-come-lê-ouve-fala-sente-come-dorme-ouve-sente-ouve-fala-ri-chora-pára-cai-levanta-dança-sai-...

nonsense


(no meio de uma interminável fila de trânsito)


-O meu carro está a andar para trás!! (pânico)

-Ah... afinal são os outros que recomeçaram a marcha.
( cartoon in sergeicartoons)

terça-feira, outubro 02, 2007

quarta-feira, setembro 26, 2007

"you' ve got to fight for a reason, what's your reason?"

( The Sunshine Underground, Borders)

terça-feira, setembro 25, 2007

voos e quedas

Num tempo aparentemente irreal, tirado de uma memória que não a minha, vivia uma criança num denso subúrbio da capital. Juntamente com os outros meninos do bairro, brincava na rua, ainda livre dos medos, das inseguranças, dos perigos.
Os meninos eram mais velhos e as brincadeiras despertavam sempre o olhar da criança, que os observava empoleirada na cadeira junto à janela do rés-do-chão. Naquele dia, eles saltavam por cima da enorme escadaria paralela ao prédio... voavam, assim parecia à criança, que com a coragem inconsciente dos quatro anos decidiu que também era capaz da proeza. Assim, apesar das vozes contrárias e protectoras dos meninos mais velhos, a criança tomou balanço, correu e.... saltou.
Voava! Pelo menos durante os três dos cinco degraus da escadaria, no quarto foi abatida e caiu. A chorar, com o joelho aberto e ensaguentado, lá foi para casa, com um disfarçado orgulho.
(imagem de Edward Gorey)

domingo, setembro 23, 2007


mar de prata
que reflectes um fim de tarde qualquer
nas ondas trazes as incertezas
no horizonte espelhas desejos
e qual oráculo te questionam
e o que virá a seguir?
(foto por Contradições)

terça-feira, setembro 18, 2007

Nada a Zero

Um certo sentimento niilista deu à costa e não sei o que fazer com ele

O tudo que era para mim no nada se transfigurou

Dois não fazem um todo

E o todo não implica ninguém

O tal e o certo alguém foram o zero na terra do nunca

E o agora já não tem tempo…

Alguém encontrou o rumo

Aqui perdeu-se o chão

Além é o nada

Aquém é o tudo

Nada é o meu mundo,

Zero! Perdi eu…

segunda-feira, setembro 17, 2007

"Tu disseste"


Tu disseste "quero saborear o infinito"

Eu disse "a frescura das maçãs matinais revela-nos segredos insondáveis"

Tu disseste "sentir a aragem que balança os dependurados"

Eu disse "é o medo que nos vem acariciar"

Tu disseste " eu também já tive medo. muito medo. recusava-me a abrir a janela, a tranpôs o limiar da porta"

Eu disse "acabamos a gostar do medo, do arrepio que nos suspende a fala"

Tu disseste "um dia fiquei sem nada. um mundo inteiro por descobrir"

Eu disse "..."


Eu disse "o que é que isso interessa?"

Tu disseste "...nada"


Tu disseste "agora procuro o desígnio da vida. às vezes penso encontrá-lo num bater de asas, num murmúrio trazido pelo vento, no piscar de um néon. escrevo páginas e páginas a tentar formalizá-lo. depois queimo tudo e prossigo a minha busca"

Eu disse "eu não faço nada. fico horas a olhar para uma mancha na parede"

Tu disseste "e nunca sentiste a mancha a alastrar, as suas formas num palpitar quase imperceptível?"

Eu disse "não. a mancha continua no mesmo sítio, eu continuo a olhar para ela e não se passa nada"

Tu disseste "e no entanto a mancha alastra e toma conta de ti. liberta-te do corpo. tu é que não vês"

Eu disse " o que é que isso interessa?"

Tu disseste "... nada"


( letra: Mão Morta; imagem: huene diveres)

sábado, setembro 15, 2007

dançando

( Les Freds)



Rodopio em torno de mim mesma,


dançando aquela música com a letra de sempre;


rodo à volta do passado, girando no presente,


à procura da saída do círculo, à procura do futuro...

quarta-feira, setembro 12, 2007

Tears for affairs



Shedding tears for affairs
I’m a funny little thing
I can tell you this for nothing
Affairs don’t win

Can you handle one more dirty secret?
One more dirty night?
Is it true what they say?
Will it make us go blind?

You had to drive
Look me in the eye
Whisper "don’t cry"

I’ll take an interest in Illustration
It should be a laugh
Your words are with me still
They whisper in the grass

Shedding tears for affairs
I’m a stupid little thing
I can tell you this for nothing
You won’t win

You had to drive
(I didn’t want to)
Look me in the eye
(I found it hard to)
Whisper "don’t cry"
(I had to whisper "don’t cry")
So I cried

( Camera Obscura)

segunda-feira, setembro 10, 2007

a banda sonora da festa



Impressionantes...!!


Roncos do Diabo

os momentos da festa

a animação...

a música....

a arte....



o fogo de artifício....



as pessoas...





a comida...

por Contradições

quinta-feira, setembro 06, 2007

num tempo distante, numa terra longínqua...


por Contradições

terça-feira, setembro 04, 2007

ruas

Nas ruas de calçada íngreme e escorregadia
Dei por mim à procura de um sinal
Por entre o musgo e a terra
As ruas não são oráculos
E a calçada não tem visões
Por isso caminhei em direcção ao rio
Procurando respostas sem fim
A água tinha secado
E o leito estéril nada dizia.
Voltei às ruas
Olhei para cima
Nos telhados passeavam gatos pretos luzidios
O sinal de má fortuna
Faltavam as escadas e o espelho partido.
As escadas já foram subidas e descidas tantas vezes
E o espelho já me disse que a bela não sou eu.
Portanto continuo a seguir as ruas de calçada íngreme
Esquecendo-me das respostas e buscando perguntas que eu saiba responder.

segunda-feira, setembro 03, 2007

passagens II

" E assim sou, fútil e sensível, capaz de impulsos violentos e absorventes, maus e bons, nobres e vis, mas nunca de um sentimento que subsista, nunca de uma emoção que continue, e entre para a substância da alma. Tudo em mim é a tendência para ser a seguir outra coisa; uma impaciência da alma consigo mesma, como uma criança inoportuna; uma desassossego sempre crescente e sempre igual."
in Livro do desassossego, composto por Bernardo Soares(...), de Fernando Pessoa, Assírio &Alvim

domingo, setembro 02, 2007

re-

vira e revira, o ano passa, repassa e parece sempre que sou perseguida por esse prefixo de repetição. setembro é o mês que começa com confiança e termina em desespero, pelo menos assim tem sido nos últimos.... seis anos?!. estou a ficar cansada mas dizem que quem corre por gosto, não cansa. por isso vou continuar a correr, com a confiança que o prefixo será um dia eliminado.