quinta-feira, outubro 25, 2007

A vida interior de Martin Frost






Como boa leitora e fã do escritor Paul Auster, fui ver o recente filme, A Vida Interior de Martin Frost, realizado por este e produzido por Paulo Branco.



As críticas ao filme não eram as melhores, mas nem sempre estas coincidem com os meus gostos, de modo que, após uma semana de preguiça, lá fui.



Depois de dez minutos de anúncios comerciais, começam as apresentações dos filmes em exibição e das estreias... eis senão quando.... um barulho de motor avariado e o filme começa a deteriorar-se, como se se estivesse a queimar lentamente... bem, depois..., depois foram dez minutos à espera que conseguissem arranjar a maquineta ( que de certo devia ter razão, têm sempre).



O filme. Opinião. Não sei bem... Um escritor apaixona-se pela sua musa inspiradora, uma francesa que está a fazer uma tese de Filosofia, para o que lê Berkely e Hume. A grande dúvida que se instala, em todos, personagens e público, é se a Claire Martin é real ou fruto da imaginação do Martin... bom a história perde-se pelo caminho, mas tem momentos muito interessantes, embora a personagem feminina ( ou a actriz, ainda não percebi) me irritasse, para musa era bastante prosaica...Falta referir que, como é óbvio, durante o filme houve um telemóvel que tocou insistentemente, com um toque polifónico musical bastante enervante e que ninguém desligava, provavelmente tentando passar despercebida...



quarta-feira, outubro 24, 2007

Será??

You Belong in London

You belong in London, but you belong in many cities... Hong Kong, San Francisco, Sidney. You fit in almost anywhere.
And London is diverse and international enough to satisfy many of your tastes. From curry to Shakespeare, London (almost) has it all!

terça-feira, outubro 23, 2007

segunda-feira, outubro 22, 2007

outono estival




Acordo, mais um dia de sol ao alto e calor estival... mais um dia... "Que bom!" - exclamam as pessoas avessas aos dias frios, cinzentos e chuvosos. "Mais um dia..." - resmungo eu, farta deste calor tão fora de época.


Domingo, no café, vendiam-se bolos.... Rei!! Quinta-feira, alguém anunciava que iam começar a ornamentar as ruas da cidade com as decorações de Natal! Todos os dias, na baixa, há castanhas assadas! E os termómetros marcam 28º...


Tenho saudades dos dias frios, talvez não tanto dos dias cinzentos, mas o outono assim não tem graça, nem se pode estar deprimido em condições!


(imagem aqui)

sexta-feira, outubro 19, 2007

viagens

©2006-2007 ~snul



Este coração foi visto pela última vez na paragem de autocarros, o destino é desconhecido e não se sabe se regressa. Boa viagem!

quarta-feira, outubro 17, 2007

analogias








a aranha tece a sua teia com precisão e eficácia, aguarda por uma presa incauta, que atraída por artifícios, acaba por cair na armadilha. incapaz de se soltar, é lentamente envolvida pelos sedosos fios da aranha, donde nunca mais se libertará.

quinta-feira, outubro 11, 2007

sons de infância

(foto aqui)

Hoje de manhã chegou até mim uma melodia que há muito não ouvia, olhei pela janela e lá estava ele, na sua bicicleta, o amolador de facas e tesouras.

Sorri.



quarta-feira, outubro 10, 2007

Voo Nocturno

Agora já não vejo o sol
nem o seu reflexo lunar
levo as asas nos bolsos
e o coração a planar
neste voo nocturno
não sei onde vou aterrar
Sinto as nuvens nos meus pulsos
e o leme sempre a consentir
são sempre os mesmo ossos
que eu insisto em partir
neste voo nocturno
só quero mesmo resistir
Neste voo nocturno sou mais leve do que o ar
neste voo nocturno não sei onde vou acordar
Em baixo há manchas no canal
mas eu não as quero ver
o aeroplano está frio
e os hélices a ferver
o nariz do avião
só obedece a quem quiser
Agora não existe nada
o meu motor " ao ralenti"
vou revendo em surdina
tudo o que vivi
neste voo nocturno
a madrugada vem aí
Jorge Palma, Voo Nocturno

terça-feira, outubro 09, 2007

As palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.


Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.


Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.


Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?


Eugénio de Andrade

segunda-feira, outubro 08, 2007

black mirror

Espelho meu ...?

enumerações

Pára-olha-foca-vê-chora-anda-corre-ri-dorme-acorda-levanta-come-lê-ouve-fala-sente-come-dorme-ouve-sente-ouve-fala-ri-chora-pára-cai-levanta-dança-sai-...

nonsense


(no meio de uma interminável fila de trânsito)


-O meu carro está a andar para trás!! (pânico)

-Ah... afinal são os outros que recomeçaram a marcha.
( cartoon in sergeicartoons)

terça-feira, outubro 02, 2007

quarta-feira, setembro 26, 2007

"you' ve got to fight for a reason, what's your reason?"

( The Sunshine Underground, Borders)

terça-feira, setembro 25, 2007

voos e quedas

Num tempo aparentemente irreal, tirado de uma memória que não a minha, vivia uma criança num denso subúrbio da capital. Juntamente com os outros meninos do bairro, brincava na rua, ainda livre dos medos, das inseguranças, dos perigos.
Os meninos eram mais velhos e as brincadeiras despertavam sempre o olhar da criança, que os observava empoleirada na cadeira junto à janela do rés-do-chão. Naquele dia, eles saltavam por cima da enorme escadaria paralela ao prédio... voavam, assim parecia à criança, que com a coragem inconsciente dos quatro anos decidiu que também era capaz da proeza. Assim, apesar das vozes contrárias e protectoras dos meninos mais velhos, a criança tomou balanço, correu e.... saltou.
Voava! Pelo menos durante os três dos cinco degraus da escadaria, no quarto foi abatida e caiu. A chorar, com o joelho aberto e ensaguentado, lá foi para casa, com um disfarçado orgulho.
(imagem de Edward Gorey)

domingo, setembro 23, 2007


mar de prata
que reflectes um fim de tarde qualquer
nas ondas trazes as incertezas
no horizonte espelhas desejos
e qual oráculo te questionam
e o que virá a seguir?
(foto por Contradições)

terça-feira, setembro 18, 2007

Nada a Zero

Um certo sentimento niilista deu à costa e não sei o que fazer com ele

O tudo que era para mim no nada se transfigurou

Dois não fazem um todo

E o todo não implica ninguém

O tal e o certo alguém foram o zero na terra do nunca

E o agora já não tem tempo…

Alguém encontrou o rumo

Aqui perdeu-se o chão

Além é o nada

Aquém é o tudo

Nada é o meu mundo,

Zero! Perdi eu…

segunda-feira, setembro 17, 2007

"Tu disseste"


Tu disseste "quero saborear o infinito"

Eu disse "a frescura das maçãs matinais revela-nos segredos insondáveis"

Tu disseste "sentir a aragem que balança os dependurados"

Eu disse "é o medo que nos vem acariciar"

Tu disseste " eu também já tive medo. muito medo. recusava-me a abrir a janela, a tranpôs o limiar da porta"

Eu disse "acabamos a gostar do medo, do arrepio que nos suspende a fala"

Tu disseste "um dia fiquei sem nada. um mundo inteiro por descobrir"

Eu disse "..."


Eu disse "o que é que isso interessa?"

Tu disseste "...nada"


Tu disseste "agora procuro o desígnio da vida. às vezes penso encontrá-lo num bater de asas, num murmúrio trazido pelo vento, no piscar de um néon. escrevo páginas e páginas a tentar formalizá-lo. depois queimo tudo e prossigo a minha busca"

Eu disse "eu não faço nada. fico horas a olhar para uma mancha na parede"

Tu disseste "e nunca sentiste a mancha a alastrar, as suas formas num palpitar quase imperceptível?"

Eu disse "não. a mancha continua no mesmo sítio, eu continuo a olhar para ela e não se passa nada"

Tu disseste "e no entanto a mancha alastra e toma conta de ti. liberta-te do corpo. tu é que não vês"

Eu disse " o que é que isso interessa?"

Tu disseste "... nada"


( letra: Mão Morta; imagem: huene diveres)

sábado, setembro 15, 2007

dançando

( Les Freds)



Rodopio em torno de mim mesma,


dançando aquela música com a letra de sempre;


rodo à volta do passado, girando no presente,


à procura da saída do círculo, à procura do futuro...

quarta-feira, setembro 12, 2007

Tears for affairs



Shedding tears for affairs
I’m a funny little thing
I can tell you this for nothing
Affairs don’t win

Can you handle one more dirty secret?
One more dirty night?
Is it true what they say?
Will it make us go blind?

You had to drive
Look me in the eye
Whisper "don’t cry"

I’ll take an interest in Illustration
It should be a laugh
Your words are with me still
They whisper in the grass

Shedding tears for affairs
I’m a stupid little thing
I can tell you this for nothing
You won’t win

You had to drive
(I didn’t want to)
Look me in the eye
(I found it hard to)
Whisper "don’t cry"
(I had to whisper "don’t cry")
So I cried

( Camera Obscura)