terça-feira, maio 20, 2008

educação

Confap propõe três professores logo a partir do 1º ciclo

A Confederação Nacional das Associações de Pais propôs hoje que as crianças passem a ter três professores para áreas distintas logo no 1º ciclo do ensino básico, o que corresponde a recomendações feitas pelo Conselho Nacional de Educação.

«A Confap defende que no 1º ciclo, logo a partir do seu 1º ano, deverá ter um professor de línguas, outro de matemática e outro de expressões, como a musical ou artística», defendeu à agência Lusa o presidente da Confederação, Albino Almeida.
Um estudo do Conselho Nacional de Educação (CNE) divulgado segunda-feira recomenda a fusão dos 1º e 2º ciclos do ensino básico (antigos escola primária e ciclo preparatório) para acabar com «transições bruscas», com apenas um professor, progressivamente apoiado por outros docentes em pelo menos duas áreas.
Segundo o estudo «A Educação das crianças dos 0 aos 12 anos», este ciclo de seis anos «visaria neutralizar as transições bruscas identificadas ao nível da relação dos alunos com o espaço-escola, as áreas e os tempos de organização do trabalho curricular, a afiliação dos professores, o seu papel de aluno e com o desenvolvimento gradual das competências esperadas».

A vantagem destes estudos é que convergem com a política de redução de professores no sistema de ensino português que tem sido aplicada. Verifica-se na redução de casos de alunos com NEE (Necessidades Educativas Especiais), o que faz aumentar as turmas de 20 para 30 alunos, na redução dos pares pedagógicos nas áreas curriculares não disciplinares no 3º ciclo, na mudança dos apoios pedagógicos acrescidos para a componente não lectiva (sim, porque os apoios não são aulas, segundo os nossos dirigentes) e agora nesta brilhante proposta: um professor único no 1º e 2º ciclos. Esta última vai reduzir drasticamente o número de p
rofessores, os alunos do 2º ciclo têm dez disciplinas, sendo que em três destas são dois os professores que os acompanham. Não é preciso ser nenhum génio a matemática para perceber o que vai causar esta fusão.
O argumento apresentado pelos autores do estudo, o atenuar da pressão sentida pelos alunos nesta transição, é mais um prego neste grande caixão que é a educação, cada vez mais preocupada em atenuar as dores e dramas dos alunos e descuidando o que é fundamental: a questão do ensino/ aprendizagem. É preciso repensar os curriculos dos alunos, reorganizá-los, adaptar instrumentos, equipar escolas, formar (contínua e gratuitamente) professores....etc etc etc
Na minha modesta opinião, os alunos não são esses seres frágeis e incapazes em que estes e outros estudos os têm transformado. Eu acredito profundamente que algumas crianças se sintam deslocadas ao chegar ao 2º ciclo, mas penso que o principal problema está relacionado com a questão do insucesso escolar, pois muitas vezes estes meninos são integrados em turmas de tri-bi-repetentes, cuja faixa etária nada tem a ver com aqueles, causando muitas vezes problemas sérios dos quais ninguém fala. Mas esta questão tem de ser abordada com seriedade, empenho e recursos, que é o que falta mais. É preciso dar saída a estes alunos, e muito provavelmente não será o ensino regular o mais apto a fazê-lo. Ou seja, é uma outra questão...
Voltando à primeira, no 2ºciclo é suposto que se aprofundem os conhecimentos adquiridos no 1º ciclo, e é por essa razão que têm diferentes professores, formados nessas áreas específicas ( Ciências, Inglês, Matemática ...).
E o que acontecerá a seguir? Os alunos do 2º ciclo não vão sentir a "pressão da transição" para o 3º ciclo? E os deste ciclo para o secundário? E na faculdade??
Ainda perguntam o porquê do desânimo...

quinta-feira, maio 15, 2008

Temos Feira do Livro ou não temos Feira do Livro… eis a questão

Este ano a Feira do Livro de Lisboa parece estar envolta, novamente, em polémica. Desconhecia ser habitual este evento causar polémica, mas assim aparece nas notícias que tenho lido sobre o assunto. Tendo em conta que a Câmara atribui um subsídio à organização do certame e a isenta de taxas camarárias, tal facto já não me parece tão estranho.
Confesso que nunca foi assunto que me preocupasse, sempre dei como adquirida a Feira, em Maio e Junho, por isso as recentes notícias da possível não realização da mesma chocaram-me.
E quais são os motivos desta polémica? Um diferendo entre a APEL (Associação Portuguesa de Editores e Livreiros) e o grupo Leya, que actualmente detém as principais editoras, como a Caminho, a D. Quixote entre outras. Esta discussão assenta numa proposta do grupo Leya, que pretende modificar o design dos pavilhões, proposta inicialmente aceite pela organização, mas posteriormente negada. Agora estamos num impasse, no qual a Câmara de Lisboa serve de árbitro e decide, perante os esclarecimentos da organização dos motivos do recuo, se mantém o subsídio e a isenção ou se os corta.
Esta questão parece à primeira vista insignificante, contudo é preciso lembrar que as antigas editoras, tais como as conhecíamos, mudaram, fazem parte, agora, de um grande grupo empresarial, na lógica de mercado actual, em que os monopólios dominam. Por isso, não se trata de uma disputa igual, já que os meios são obviamente bastante diferentes. A posição da Câmara parece estar afecta à lógica empresarial dos grandes grupos seguindo a corrente.
Se a Feira não se realizar, quem perde é a cidade de Lisboa, os seus habitantes e visitantes. Eu gosto muito de ir ao Parque Eduardo VII e visitar os pequenos pavilhões dos diferentes editores, chamem-me tradicionalista, mas gosto dos stands de madeira pintados ao ar livre, faz parte do meu imaginário infantil, quando a minha mãe me levava com ela e eu lia livros num canto, enquanto ela vendia outros aos visitantes.
A Feira ajuda a vender livros, a divulgá-los, o ambiente envolve as pessoas. Estas questões são prejudiciais à cultura, ao combate à iliteracia, que tanto parece preocupar os nossos políticos e intelectuais. Grupos empresarias, associações de livreiros e editores e autarquias têm como obrigação manter este tipo de eventos, pois os livros não são apenas um objecto de consumo, para tal, a grande questão resume-se a uma: os livros têm de baixar de preço, este é o verdadeiro apelo da Feira, a sua razão de existir… não o design de pavilhões.

lost



(Julie Morstad)

quarta-feira, maio 14, 2008

nostalgia

nestes dias cinzentos tem-me dado para a nostalgia, vou recordando pequenos instantes que me aparecem consoante imagens, sons e sabores tocam os meus sentidos... há momentos tão assustadoramente reais, que pessoas, lugares e tempos coexistem anacronicamente e, infelizmente, de uma forma impossível. lembro todos os lugares por onde passei, as ruas onde morei, os caminhos que tive de percorrer e eles continuam lá, intactos, sem as marcas do tempo, apenas as da razão, que o sentimento perdeu. recordo as pessoas, os amigos, as caras que, essas sim... ah o tempo execrável, se vão deteriorando na memória, mas não no coração (pode ser um cliché, bem sei, mas também eu muitas vezes o sou), pessoas que perdi algures no tempo e no espaço, mas que vou reencontrando por essas esquinas reais ou virtuais. são muitos caminhos e muitas pessoas e muitos sentimentos, vivências, esperanças e expectativas e ... às vezes sinto saudades de mim, desses eus que viveram as minhas memórias.

terça-feira, maio 06, 2008

Maio, estamos mesmo em Maio???!!!!

terça-feira, abril 29, 2008

WHICH WAY IS MY WAY?

quarta-feira, abril 23, 2008

Não te escondas, vá lá...

(Contradições)

terça-feira, abril 22, 2008

ÀS VEZES, as pessoas IRRITAM-ME, particularmente...

segunda-feira, abril 21, 2008

É desta!!!



domingo, abril 20, 2008

sábado, abril 19, 2008

(Contradições)



Debaixo do ruído das luzes tudo parece mover-se em câmara lenta,
As pessoas articulam gestos e palavras gritadas
Esboçam sorrisos e gargalhadas
Enquanto à chuva dois mendigos partilham as folhas de uma palmeira

Lá dentro instala-se a confusão
Cá dentro mantém-se a contradição entre o ficar e o partir
Entre o sentir e o fingir
Enquanto o vento leva os jornais do dia

É a contradição de sempre.

quinta-feira, abril 17, 2008

De boca a Barlavento

I

Esta
a minha mão de milho & marulho
Este
o sol a gema E não
o esboroar do osso na bigorna
E embora
O deserto abocanhe a minha carne de homem
E caranguejos devorem
esta mão de semear
Há sempre
Pela artéria do meu sangue que goteja
De comarca em comarca
A árvore E o arbusto
Que arrastam
As vogais e os ditongos
para dentro das violas


II


Poeta! todo o poema:
geometria de sangue & fonema
Escuto Escuta

Um pilão fala
árvores de fruto
ao meio do dia
E tambores
erguem
na colina
Um coração de terra batida
E lon longe
Do marulho à viola fria
Reconheço o bemol
Da mão doméstica
Que solfeja

Mar & monção mar & matrimónio
Pão pedra palmo de terra
Pão & património

Corsino Fortes

quarta-feira, abril 16, 2008

Blond Redhead

terça-feira, abril 15, 2008

Tudo se resume a uma questão de lógica

A lógica depende de pessoa, para pessoa. A cada dia que passa, mais convicta fico deste facto, o que para mim estaria muito bem se não fosse implicar com a questão da "liberdade de um termina, quando começa a de outro". Por isso a lógica devia ser mais uniformizada, sei lá, nas questões práticas e logísticas.
Desabafos de quem queria trabalhar e não tinha nem tinteiro, nem papel!!

segunda-feira, abril 14, 2008

Broken pieces

(Contradições)

domingo, abril 13, 2008

Fins-de-semana iô-iô

quarta-feira, abril 09, 2008

terça-feira, abril 08, 2008

sueños em condiciones reais

(Julien Paucaud, Notahobbytool)


suenõs em condiciones reais
el milagro de la reprodución de los peixes es visible
você precisa aprender a tener fé en lo impossible
e a no dar importância a lo que dizem los críticos mais boçais

saiba como utilizar crises internas
el arte de respirar
nada como la alegria del pensamiento para banalidades
enfrentar
legal caminar com las próprias piernas

usa el desespero como remo
para enfrentar la vida real
no acredite ciegamente en la escena com fondo musical
puede ser una cuéstion de falso verdadero

esquece los falsos amores
todo esto faz parte del grande circo de los horrores

Douglas Diegues, in Antologia de Poesia Brasileira do Início do Terceiro Milénio

segunda-feira, abril 07, 2008

jardins

(Contradições)



Os espaços estão vazios e irreconhecíveis,

as pesssoas que passeiam nos jardins já não são as mesmas,

embora vistam os mesmos trajes de ontem,

já não te reconhecem;

ou então és tu, que já não sabes ver nelas o que viste antes.

os caminhos dos jardins estão carregados de mágoas de gente que por ali passou,

de gente que agora se senta nos bancos do mesmo jardim, de olhos baços,

que já não choram;

as estações passaram pelos jardins e mudaram-no,

o Outono fez cair os sonhos alheios;

o Inverno varreu as almas e limpou-as com a chuva;

a Primavera sorriu aos sonhadores;

o Verão expulsou-os a todos.

Os jardins estão vazios daqueles que eu conhecia.

sexta-feira, abril 04, 2008

AVISO DE ABERTURA

Informa-se que vai decorrer, durante este mês, o período de irritação, ataque de nervos e desgaste emocial. Para beneficiar destes serviços basta aceder ao concursário com o seu número de inscrição e palavra passe.

Obrigada e boa sorte!

quinta-feira, abril 03, 2008

Vai um mergulhinho?


(Contradições)




Com um calor destes, até aqui o Tareco se aventurava a um mergulho... ou então não! Uma boa soneca à sombra já ajuda a passar o tempo abafado!

quarta-feira, abril 02, 2008

O quase fim do mundo

E se a vida animal de repente desaparecesse da Terra, excepto num pequeno recanto do mundo e em doses mínimas? Talvez as causas se conheçam depois, mas o que importa é a existência de alguns seres, aturdidos pelo desaparecimento de tantos, e procurando sobreviver. (...) Detalhe importante: o recanto do mundo que escapou à hecatombe situa-se numa zona da desgraçada África. O que permitirá questionar as relações contemporâneas no velho Mundo.

in O quase fim do mundo,
Pepetela

terça-feira, abril 01, 2008

enganos espelhados

(Contradições)

segunda-feira, março 31, 2008

DA RECUSA (STILLS)

bonecas, santos têm tempo, e a espera nem é áspera, só longe. tantos anos, tornou-se automático negligenciar o incômodo daquela vizinhança, não seria deles o dolo, sempre com sóbria discrição. agora quase desarmadas, elas que tanto se policiaram pela porcelana casta do menor rubor (afinal, eram homens aqueles, e tão próximos). se Kierkegaard ou uma boneca alcançam salvação pelo absurdo, ignora-se - mas, com perícia, elas suportam a imobilidade, dias em massa sem inaugurar novas dobras no cetim ou falso veludo, olhos no horizonte que divisa teto e parede.

deles, relutância ante a imediação da beleza: fios louros de nylon fugindo do chapéu, bochechas sem músculos. o que são, apenas santos de residência, na mesma prateleira, sangue-de-pouca-tinta no gesso cariado, na madeira de talhe bronco. um São Jorge rival, em moldura fosco dourada (lança, guerra, suor), há muito que sumiu da parede inversa, e fez-se vão o ciúme dos romances de cavalaria, de eventuais enredos por elas nutridos. bonecas e santos têm tempo. unindo em ausência, o fio que se estica, até quase arrebentar.

Diego Vinhas, in Antologia de Poesia Brasileira do Início do Terceiro Milénio, Exodus

sábado, março 29, 2008

Venha lá essa música!!

(Veletrzni Palác)

sexta-feira, março 28, 2008

E assim passou uma semana...

(Contradicoes)

E uma cidade belissima, a chegada, no decorrer e na despedida...


quinta-feira, março 27, 2008

Viajar com o essencial...


(Fluxus)

quarta-feira, março 26, 2008

Conclusoes do dia

1. Ja chega de neve, uma vez tem piada, agora so serve para congelar.

2. Os adolescentes sao iguais em todo o lado, em qualquer lingua.... nao ha pachorra.

3. A expressao esta a tocar nao se pode usar em ferias, mesmo que se refira ao relogio astronomico.

4. Nao fazer misturas com a docaria tipica, o resultado e identico ao das misturas alcoolicas.

terça-feira, março 25, 2008

Turistiquices

Hoje consegui fazer mini. bolas de neve!!!
:)

segunda-feira, março 24, 2008

cancao do dia I

cai neve em nova iorque, faz sol no meu pais...

Praha 3 žižkov

(contradicoes)

A vizinhanca em Praga:a torre da televisao.... Sim, sao bebes que gatinham ao longo da torre.

Nota: os teclados checos nao tem os nossos acentos graficos, por isso nao escrevo mais.
A inscricao em checo e da autoria da S., eu nem pronunciar quanto mais escrever.


segunda-feira, março 17, 2008

Numa varanda

Numa varanda virada para a baía
Numa plataforma para o mar
Sonhei
Amei
Chorei
Arremeti desejos em garrafas imaginárias
Lancei pragas
Construí vidas a dois
Destruí destinos a três
Descobri a lei da sobrevivência
(a dos outros e a minha)
Vi a fome, a solidão
Vi o sorriso da gratidão
Ensinei o b-a = ba
Aprendi a ver dentro de mim
Numa varanda virada para a baía
Numa plataforma para o mar.

domingo, março 16, 2008

My body is a cage



My body is a cage
that keepes me from dancing
with the one I love,
but my mind holds the key.

My body is a cage
that keeps me from dancing
with the one I love
but my mind holds the key.

I'm standing on a stage
of fear and self-doubt
it´s a hollow play,
but the'll clap anyway.

My body is a cage
that keeps me from dancing
with tehe one I love,
but my mind holds the key.

You're standing next to me.
My mind holds the key.

I'm living in an age
that calls darknes light.
Though my language is dead
still the shapes fill my head.

I'm living in an age
whose name I don't know
though the fear keeps me moving,
still my heart beats so slow.

My body is a cage that keeps me
from dancing with teh one I love,
but my mind holds the key.

You're standing next to me.
My mind holds the key.
My body is a c...

My body is a cage.
We take what we' re given.
Just because you've forgotten,
that don't mean you're forgiven.

I'm living in a age that
screams my name at night,
but when I get to the dorway
there's no one in sight.

My body is a cage that
keeps me from dancing
with the one I love,
but my mind holds the key.

You're standing next to me.
My mind holds the key.

Set my spirit free
Set my spirit free
Set my spirit free



(arcade fire)

quinta-feira, março 13, 2008

candy, candy

(contradições)

quarta-feira, março 12, 2008

"who loves the sun?" I do!

E como não há um dia como o outro, hoje foi o outro!!
"Who loves the sun?"
Eu. E o calor e tudo e tudo!

segunda-feira, março 10, 2008

The Cure


No mesmo 8 de Março, já noutro registo, assisti a um concerto de três inesperadas horas, com as canções de sempre e outras, que trazem sempre um sorriso e uma memória. Muito bom!


8 de Março












(contradições)








Contra factos não há argumentos, éramos cem mil na rua, pela primeira vez unidos, todos... Pela dignidade, pelo profissionalismo, por uma escola melhor.





sexta-feira, março 07, 2008

sempre actual...

(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)


Alexandre O'Neill

quarta-feira, março 05, 2008

coisas imperceptíveis

(Julien Pacaud)

terça-feira, março 04, 2008

Assim de repente

descubro o quão baixa é a minha tolerância à crítica...

segunda-feira, março 03, 2008

Sobre a lógica e a emoção

" O coração tem razões que a própria razão desconhece"
Blaise Pascal


A questão coloca-se no tipo de intenções que as "razões" encerram...

domingo, março 02, 2008

E...

... como é que se pode ter saudades do que nunca se conheceu?

sábado, março 01, 2008

soon this space will be too small

soon this space will be too small
and i'll go outside

to the huge hillside
where the wild winds blow
and the cold stars shine


i'll put my foot
on the living road
and be careed from here
to the heart of the world


i'll be strong as a ship
and wise as a whale
and i'll say the three words
that will save us all

soon this place will be too small
and i'll laugh so hard

that the walls cave in

then i'll die three times
and be born again
in a litle box
with a golden key
and a flying fish
will set me free

soon this space will be too small
all my veins and bones
will be burn to dust
you can throw me into
a black iron pot
and my dust will tell
what my flesh would not
soon this space will be too small
and i'll go outside
...


Lhasa, the living road

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Para lá do espelho...

(Effendi, Mulher)

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

alienação

acordo todos os dias para dormir mais outro
já não consigo distinguir o dia da noite
o torpor e a dormência são constantes
seja qual hora for
combate-se a inércia com a sonolência
e o resultado é o sonambolismo diário

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

moving on...

terça-feira, fevereiro 26, 2008

working

mergulhada entre cabeças decepadas e cidades destruídas
códigos secretos e mensagens em línguas ancestrais
cruzam-se na imaginação o passado e o futuro


viva a imaginação!

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

ciclos

" Muita água passou debaixo da ponte"


Hoje aplicou-se a várias e tristes realidades.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

cats on trees


(nalgures)

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

bucolismos

e de repente caía,
flutuando, sobre a copa frondosa da árvore velha
e mergulhava de um ramo largo para o ribeiro fresco e brilhante.
lá dentro abria os olhos e em redor a distorção causada pela água era enebriante
e segurava entre os dedos encarquilhados do frio os seixos, antes deitados no leito.
e tudo estava silencioso, nada se ouvia, nem mesmo a minha respiração.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

não vejo

não oiço

não falo

...

terça-feira, fevereiro 12, 2008


Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
à parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, para o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei que moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,

Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheco-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

Álvaro de Campos

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

sweeney todd


"there´s a whole in the world like a great black pit
and the vermin of the world inhabit it
and its morals aren´t worth what a pin can spit
and it goes by the name of london
at the top of the hole sit the previlaged few
making mock of the vermin in the lonely zoo
turning beauty to filth and greed... "



quinta-feira, fevereiro 07, 2008

"The missing chapter"

(© Julien Pacaud 2003)

ultimamente há capítulos que parecem desaparecer da minha vida, pequenas partículas que se evaporam nas páginas rasuradas...


segunda-feira, janeiro 28, 2008

"33 (thirty-three) is the natural number following 32 and preceding 34"

  • O trinta e três (33) é o número natural que segue o 32 e precede o 34.
  • É um número composto, que tem os seguintes factores próprios: 1, 3 e 11. É o décimo número sortudo.
  • Desde a antiguidade o número 33 vem sendo explorado pelas sociedades secretas.
  • O número refere-se à idade de Jesus e de Alexandre o Grande.
  • Na maçonaria refere-se ao grau máximo simbolicamente defendido na marca 33 na graduação de abertura do compasso (instrumento de medição de angulos ) ou em outras situações refere-se ao 66.
  • 33 é o nome de um filme.
  • É o número atómico do arsénio (As).
  • É o número de vertebras que o ser humano tem ao longo de sua coluna.

E a partir de hoje, o meu número.

in Wikipédia



quarta-feira, janeiro 16, 2008

terça-feira, janeiro 15, 2008

ano novo, vida nova?

Janeiro começou cheio de novidades profissionais: os pais vão poder assistir às minhas aulas, os meus colegas superiores vão poder assistir às minhas aulas,com o intuito de me avaliarem; o ministério e ministra, como não têm tempo de assistir às minhas aulas (o que por este andar até agradecia), vão examinar-me numa prova, constituída por várias componentes, nas quais vou ter de obter a classificação igual ou superior a 14 valores. Na escola tenho de obter um mínimo de Bom. É com estas condições que poderei continuar a substituir os colegas, que por motivos vários, têm de se ausentar da escola.
Neste país um bom cidadão, é um cidadão morto! Não está desempregado, não sobrecarrega a Segurança Social, não atrapalha as listas de espera dos hospitais, não é funcionário público e não é professor!
Nota pessoal: começar a procurar emprego.

sexta-feira, janeiro 11, 2008

HOJE VEJO O MUNDO ASSIM:

... através de uma cortina.


(fotografia: Francisco Vidal)

sexta-feira, janeiro 04, 2008

civismo...ou falta dele!

senhoradecasacoleopardoemcarrotopodegamapuxadoâmagodosseusbrônquiosdejectoqueaterranapassadeirasortedopeãoqueestavaatento!

quinta-feira, janeiro 03, 2008

para além da razão

Ódio é destilado todos os dias a todas horas. Uns dizem que é falta do que fazer, outros dizem que é falta de amor. Eu não sei qual a razão do ódio despropositado, da provocação vã, mas ele está à espreita: onde menos se espera e da forma mais vil.

terça-feira, dezembro 18, 2007

e assim o silêncio se instalou...

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Butterfly Factory

(© Julien Pacaud 2007 )

sexta-feira, dezembro 07, 2007

"Ana de Amsterdam"



Sou Ana do dique e das docas

Da compra, da venda, das trocas de pernas

Dos braços, das bocas, do lixo, dos bichos, das fichas

Sou Ana das loucas

Até amanhã

Sou Ana

Da cama, da cana, fulana, sacana

Sou Ana de Amsterdam


Eu cruzei um oceano

Na esperança de casar

Fiz mil bocas pra Solano

Fui beijada por Gaspar


Sou Ana de cabo a tenente

Sou Ana de toda patente, das Índias

Sou Ana do oriente, ocidente, acidente, gelada

Sou Ana, obrigada

Até amanhã, sou Ana

Do cabo, do raso, do rabo, dos ratos

Sou Ana de Amsterdam


Arrisquei muita braçada

Na esperança de outro mar

Hoje sou carta marcada

Hoje sou jogo de azar


Sou Ana de vinte minutos

Sou Ana da brasa dos brutos na coxa

Que apaga charutos

Sou Ana dos dentes rangendo

E dos olhos enxutos

Até amanhã, sou Ana

Das marcas, das macas, da vacas, das pratas

Sou Ana de Amsterdam
(letra de Chico Buarque/ imagem-. Hygieia,de Gustav Klimt)

quarta-feira, dezembro 05, 2007

as grey as the sky...

segunda-feira, dezembro 03, 2007

elephant gun

E assim se deu uma volta...
E assim chegámos ao ponto de partida,
E assim se retoma a vida...

quarta-feira, novembro 28, 2007

She's lost control

Confusion in her eyes that says it all.
She's lost control.
And she's clinging to the nearest passer by,
She's lost control.
And she gave away the secrets of her past,
And said I've lost control again,
And of a voice that told her when and where to act,
She said I've lost control again.
And she turned around and took me by the hand
And said I've lost control again.
And how I'll never know just why or understand~
She said I've lost control again.
And she screamed out kicking on her side
And said I've lost control again.
And seized up on the floor,
I thought she'd die.
She said I've lost control.
She's lost control again.
She's lost control.
She's lost control again.
She's lost control.
Well I had to phone her friend to state my case,
And say she's lost control again.
And she showed up all the errors and mistakes,
And said I've lost control again.
But she expressed herself in many different ways,
Until she lost control again.
And walked upon the edge of no escape,
And laughed I've lost control.
She's lost control again.
She's lost control.
She's lost control again.
She's lost control.
I could live a little better with the myths and the lies,
When the darkness broke in,
I just broke down and cried.
I could live a little in a wider line,
When the change is gone, when the urge is gone,
To lose control. When here we come

joy division

terça-feira, novembro 27, 2007

Vício de matar

Para onde há-de ir billy the kid?
Billy não sabe para onde há-de ir
Persegue a morte na pessoa dos outros
quando era nele que ele a devia afinal perseguir

Mata inimigos
Viver é para ele matar
Procura um refúgio mas nunca sabe
onde se há-de refugiar

Sabeis qual é o seu maior inimigo?
É ele o seu maior inimigo
Matam-lhe a gente de quem ele gosta
e ele gosta de coisas simples
como de ver ondular o trigo

E billy morre billy está salvo
É ver aquela mão a abrir
Sobre si próprio concentrado
de tudo o mais alheado
billy já tem para onde fugir

O caminho da ida e o caminho da volta
não são afinal o mesmo caminho
Billy conhece agora o destino
Sempre inquieto sempre a correr
amou a vida como se amar fosse morrer
Sabe-lhe bem ser de novo menino

Billy the kid para onde há-de ir?
Não o sabia bastava um gesto
Mas billy que estava cansado e gasto
leva um tiro e então já sabe
para onde é que sempre quisera ir
Billy the kid nunca soubera o que era fugir
e a morte mãe o recebe

Billy que nunca soubera fugir
nem mesmo pergunta para onde há-de ir

Ruy Belo

segunda-feira, novembro 26, 2007

bang bang



domingo, novembro 25, 2007

verdades e mentiras

Tenho saudades de saber procurar no âmago das questões a verdade de mim, fugi há meses e a partir daí não voltei a reencontrar-me. Vagueio por esses trilhos abertos à força, o corpo move-se, articulando os membros num ritmo lento, como se filmado em câmara lenta, tão lenta como as lágrimas que rolam cara abaixo, em momentos de lucidez ébria. Os trilhos, às vezes, transformam-se em auto-estradas, e o corpo, esse assume a velocidade do vento e da música. A ausência é total, a resistência nula… deixo-me ir e flutuo sem saber e volto a perder a verdade de mim, quando tudo não passa de uma grande mentira. A minha grande mentira.

quinta-feira, novembro 22, 2007

tormentas nocturnas



Esta noite, o passado e o futuro uniram-se para me atormentar. Felizmente, não passou de um sonho mau...

quarta-feira, novembro 21, 2007

Hoje voltaram a lembrar-me que tudo é relativo, tão relativo...

persona ou personnage


"Não vai acabar nunca. (...) Sem ele nós não somos nada, mas o paradoxo é que nós, as criaturas imaginadas por uma outra mente, sobreviveremos à mente que nos criou, já que, a partir do momento em que somos lançadas no mundo, continuamos a existir para sempre, e as nossas histórias continuam a ser contadas, mesmo depois da nossa morte."
in Viagens no scriptorium, Paul Auster

terça-feira, novembro 20, 2007

navegar é preciso

O Barco!
Meu coração não aguenta
Tanta tormenta, alegria
Meu coração não contenta
O dia, o marco, meu coração
O porto, não!...

Navegar é preciso
Viver não é preciso...

O Barco!
Noite no teu, tão bonito
Sorriso solto perdido
Horizonte, madrugada
O riso, o arco da madrugada
O porto, nada!...

Navegar é preciso
Viver não é preciso

O Barco!
O automóvel brilhante
O trilho solto, o barulho
Do meu dente em tua veia
O sangue, o charco, barulho lento
O porto, silêncio!...

Navegar é preciso
Viver não é preciso...

Os Argonautas, Caetano Veloso

segunda-feira, novembro 19, 2007

Outono

outono
cor de inverno
entre o azul frio
o vermelho alaranjado das folhas caídas
e o cinzento escuro da água cadente
passa o vento
voam as memórias das personagens
que nos habitam
fugimos na velocidade dos motores
em busca do canto que ainda protege

quinta-feira, novembro 15, 2007







terça-feira, novembro 13, 2007

"Control", o filme

segunda-feira, novembro 12, 2007

quinta-feira, novembro 08, 2007

loosing it

- Faz “crcr”,- diz o rapaz esboçando um sorriso, faz “crcr”…
Ela limita-se a produzir um esgar atónito, encerrando as barreiras daquilo que julgava ser o seu mundo protegido e são. “Crcr” tornou-se a onomatopeia para a paranóia crescente, a consciência de…
- Toma atenção! Toma atenção! – gritou o rapaz, despertando- a assim para a realidade, aquela que agora estava à sua frente.


Lembra-te de tudo o que te disseram, as armas com que te defenderás dependem da tua capacidade de reter as pertinências dos outros.

(imagem: Julie Morstad)

terça-feira, novembro 06, 2007

E tudo o vento levou...

(imagem por tfavretto)