segunda-feira, maio 21, 2007

saudades



Cidade


Cidade, rumor e vaivém sem paz das ruas,
Ó vida suja, hostil, inutilmente gasta,
Saber que existe o mar, e as praias nuas
Montanhas sem nome e planícies mais vastas
Que o mais vasto desejo,
E eu estou em ti fechada e apenas vejo
Os muros e as paredes, e não vejo
Nem o crescer do mar, nem o mudar das luas.

Saber que tomas em ti a minha vida
E que arrastas pela sombra das paredes
A minha alma que fora prometida
Às ondas brancas e às florestas verdes.


( imagem por João Barbosa: praia do norte, são vicente, cabo verde; poema: Sophia de Mello Breyner)

sexta-feira, maio 18, 2007

ziiiiiiiiiiiirr...... THEC!

terça-feira, maio 15, 2007



Vicent, Tim Burton

sábado, maio 12, 2007

PACE NON TROVO...




Pace non trovo, e non ò da far guerra,
E temo e spero, ed ardo e son un ghiaccio,
E volo sopra'i cielo e giaccio in terra
E nulla stringa e tutto' l mondo abbraccio.

Tal m'ha in prigion che non m'apre né serra,
Nè per suo mi riten né scioglie il laccio,
E nonm'ancide Amore e non mi sferra,
Nè mi vuol vivo né mi trae d'impaccio.

Veggio senza occhi; e no ò lingua grido,
E bramo di perir, e cheggio aiuta,
Ed ho in odio me stesso ed amo altrui.

Pascomi di dolor, piangendo rido,
Egualmente mi spiace morte e vita:
In questo stato son, Donna, per vui.



Petrarca, Cancioneiro

sexta-feira, maio 11, 2007

e mais uma vez

a sorte acompanha-me...

quinta-feira, maio 10, 2007

e mais uma vez...

mais uma vez chegámos ao tempo da espera
e a espera gosta de se fazer esperar
tem todo o tempo do mundo para sacrificar
enquanto espero e não espero, procuro não desesperar...
tic-tac tic-tac tic-tac

terça-feira, maio 08, 2007

inertia creeps



massive attack

!!!

- Grita!
- O silêncio é ensurdecedor...
- Corre!
- A estagnação é permanente...
- Foge!
- Os trilhos foram apagados...

Balança entre desesperos momentâneos e as euforias constantes numa bipolaridade latente...

segunda-feira, maio 07, 2007

cinco sentidos mais um

domingo, maio 06, 2007

A RAPARIGA VODU





















É feita de retalhos,


tem pele de algodão


e muitos alfinetes coloridos


saídos do coração.


















Tem um magnífico par


de olhos em espiral


por si utilizados


para hipnotizar namorados.


















Tem muitos zombies diferentes


de que nunca se cansa.


Até tem um zombie


oriundo de França.


















Mas sabe que não pode vencer


a sua terrível maldição,


pois se alguém se aproxima dela


perfura-lhe o coração.


















( Tim Burton, A morte melancólica do rapaz ostra & outras histórias, Antígona)


sexta-feira, maio 04, 2007


fim de semana, finalmente...

a semana arrasta-se perante as indefinições futuras.

dizem que é mais uma e a seguir respostas surgirão.

(isto parece retirado de um qualquer horóscopo... hmmm... será um caso a pensar??)
( imagem por Les Freds)

quinta-feira, maio 03, 2007

são os poetas em potência (?)


" a acção, quanto ao espaço, situa-se no colo de alabastro"
(imagem: Modigliani; frase: anónimo)

quarta-feira, maio 02, 2007

nem tudo o que parece é...

sexta-feira, abril 27, 2007

SENHAS
Eu não gosto do bom gosto
eu não gosto do bom senso
eu não gosto dos bons modos
não gosto
eu aguento até rigores
eu não tenho pena dos traídos
eu hospedo infractores e banidos
eu respeito conveniências
eu não ligo pra conchavos
eu suporto aparências
eu não gosto de maus tratos
mas o que não gosto é do bom gosto
eu não gosto do bom senso
eu não gosto dos bons modos
não gosto
eu aguento até os modernos
e os seus segundos cadernos
eu aguento até os caretas
e as suas verdades perfeitas
o que eu não gosto é do bom gosto
eu não gosto do bom senso
eu não gosto dos bons modos
não gosto
eu aguento até os estetas
eu não julgo competência
eu não ligo pra etiqueta
eu aplaudo rebeldias
eu respeito
eu compreendo piedades
eu não condeno mentiras
eu não condeno vaidades
o que eu não gosto é do bom gosto
eu não gosto do bom senso
não, naõ gosto dos bons modos
não gosto
eu gosto dos que têm fome
dos que morrem de vontade
dos secam de desejo
dos que ardem
( adriana calcanhoto)

quinta-feira, abril 26, 2007

RIR,ROER

E se fôssemos rir,
rir de tudo, tanto,
que à força de rir
nos tornássemos pranto,


Pranto colector
do que em nós sobeja?
No riso, na dor,
que o homem se veja.


Se veja disforme,
se disforme for.
Um horror enorme?
Há outro maior...


E se não houver,
o horror é nosso.
Põe o dente a roer,
leva o dente ao osso!

Alexandre O'Neill, Poesia Completa, Assírio & Alvim

quarta-feira, abril 25, 2007

25 DE ABRIL


terça-feira, abril 24, 2007

A importância de se escrever "variante"

A importância da palavra variante era-me desconhecida. Podemos argumentar que todas as as palavras são importantes ou até mesmo imprescindíveis, pois a mais insignificante pode alterar toda a coerência de um texto, pode mudar uma intenção comunicativa, transformar um acto ilocutório. Mas depende sempre do contexto.

Variante :


do Lat. variante


adj. 2 gén.,
que varia;
variável;
inconstante;
diferente;


s. m.,
diferença;
variação;
diversidade;
modificação;
cambiante;
ramal de uma via de comunicação, cujo estudo é feito por uma directriz diversa da do projecto primitivo;
diz-se de cada uma das versões escritas ou faladas de um texto ou narrativa.


Neste caso, a palavra variante foi a culpada do meu estado inválido, ou melhor a sua ausência. Ah! Estava a esquecer-me, o scroll também serviu de bode expiatório!
Não adoram preciosismos?
E já agora, desculpem -me a ignorância... mas o que é o scroll?

segunda-feira, abril 23, 2007

por tua conta e risco

A incompetência e incongruência alheia sempre me causaram espécie, especialmente quando prejudica o desempenho dos outros. Mais do que o desempenho, esta falta de cuidado colocou em risco o meu futuro profissional ( podem perguntar qual futuro...), bem sei que estou a dramatizar, mas a forma como se desenrola todo o actual processo de candidatura tem como objectivo a exclusão de candidatos e não a sua colocação...
Como a minha situação presente é inválida ( sim, tornei-me inválida de um dia para o outro), tenho agora um prazo de aperfeiçoamento, contudo ( atenção aos incautos) mesmo que me re-transforme em válida, há sempre a possibilidade de a minha candidatura ser excluída, pois devido ao programa, a candidatura tornar-se-á inconsistente, pelo que terei de reclamar.
Desta forma prevejo muita irritação, transtorno e mais uns fios brancos...
Valerá a pena tanto?

quinta-feira, abril 19, 2007

Cinetismo

(Jesús-Rafael Soto, Penetrable, 1997)

o movimento oscilante da memória agita-se em consonância com o movimento pautado pelos sons que a rodeiam, penetra lentamente nesse mundo, a medo, tacteando as sombras e os objectos inertes, tentando escapar ilesa.
do outro lado avista apenas vultos que se agitam ao sabor do vento e procura alcançá-los, porque eles parecem ser o tudo e o nada que deseja.

quarta-feira, abril 18, 2007


Estrela do Mar


Numa noite em que o céu tinha um brilho mais forte

E em que o sono parecia disposto a não vir

Fui estender-me na praia, sózinho, ao relento

E ali longe do tempo, acabei por dormir
Acordei com o toque suave de um beijo

E uma cara sardenta encheu-me o olhar

Ainda meio a sonhar perguntei-lhe quem era

Ela riu-se e disse baixinho: estrela do mar



"Sou a estrela do mar só a ele obedeço

Só ele me conhece, só ele sabe quem sou

No princípio e no fim

Só a ele sou fiel e é ele quem me protege

Quando alguém quer à força

Ser dono de mim..."



Não sei se era maior o desejo ou o espanto

Só sei que por instantes deixei de pensar

Uma chama invisível incendiou-me o peito

Qualquer coisa impossível fez-me acreditar
Em silêncio trocámos segredos e abraços

Inscrevemos no espaço um novo alfabeto

Já passaram mil anos sobre o nosso encontro

Mas mil anos são pouco ou nada para estrela do mar



"Estrela do mar

Só a ele obedeço

Só ele me conhece, só ele sabe quem sou

No princípio e no fim

Só a ele sou fiel e é ele quem me protege

Quando alguém quer à força

Ser dono de mim..."

(letra:Jorge Palma; imagem: bar du solei,Henry Clarke, Vogue)

terça-feira, abril 17, 2007

DIZ-ME....

quanto tempo olhas para uma flor e sentes o seu perfume?
quanto tempo olhas para um campo e te deitas na relva?
quanto tempo olhas para uma árvore e trepas os seus ramos?
quanto tempo olhas para o rio e mergulhas no seu leito?
quanto tempo mais vais continuar a olhar para fora e esquecer-te de ti?


wondering

(Andy Warhol)

segunda-feira, abril 16, 2007

CHEIRA A PRIMAVERA

TRANSPIRA-SE VERÃO

SENTEM-SE OS SENTIDOS

OS CINCO MAIS UM

QUE FAZ O SEXTO...

O SEXTO SENTIDO DESPERTO

E ESPERTO

domingo, abril 15, 2007

de cortar à faca

( Andy Warhol)

quinta-feira, abril 12, 2007

no surprises

Tenho e não tenho

tenho saudades de não ter saudades de não ter medo de não ter ciúmes de não ter vontade de não sentir de não gostar de não tremer de não chorar de não gritar de não voltar de não escrever de não querer de não te ter de não ter tenho saudades tenho saudades tenho saudades tenho saudades tenho tenho tenho tenho eu eu eu eu eu eu eu

quarta-feira, abril 11, 2007

should they?

(Andy Warhol)

terça-feira, abril 10, 2007

O POEMA POUCO ORIGINAL DO MEDO

O medo vai ter tudo
pernas
ambulâncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis

Vai ter olhos onde ninguém os veja
mãozinhas cautelosas
enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no tecto
no murmúrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos

O medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
óptimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projectos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários
(assim assim)
escriturários
(muitos)
intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
com certeza a deles

Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes
e angustiados

Ah o medo vai ter tudo
tudo

(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)

*
O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos

Sim a ratos

Alexandre O' Neill, Poesia Completa, Assírio & Alvim

segunda-feira, abril 09, 2007

Chiu! It's all so quiet, it's all so still...

( por Contradições)

Enjoy the silence

Silêncio

rosto sério e fechado e silencioso,
assim percorremos as ruas desertas,
desconhecidos que se viram ali pela primeira vez
só o ruído da renúncia e da negação perturba o silêncio.
o silêncio interrompeu algo,
o quê,
não sei...
o silêncio, por vezes, é tão doloroso.

sábado, abril 07, 2007

Impõe-se o silêncio!

domingo, abril 01, 2007

MENTIRAS

ENGANOS

VIGARICES

BURLAS

ILUSÕES

ERROS

e que mais?

quinta-feira, março 29, 2007

tralha

sou especialista em acumular tralha... ela junta-se sem eu me aperceber, vou levando tudo comigo, como se tivesse medo de me perder. para cada destino a tralha acompanha-me, é uma espécie de prisão que me dá uma sensação ilusória de liberdade...
a tralha pode ser tudo e não é nada.

quarta-feira, março 28, 2007

you are welcome

( por Contradições)




Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas a abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício




Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, que guardam
o seu segredo e a sua posição


Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsinore



E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmos só amor só solidão desfeita



Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso querer falar



Cesariny, " you are welcome to elsinore", Uma Grande Razão, os poemas maiores,Assírio & Alvim

quarta-feira, março 21, 2007

os dias estão cheios de cartas e de recomendações, de amigos que partem para sempre, ou adoecem, de recados e de intrigas, de contas intermináveis, de ouro, de corpos, de fortuna e de infortúnios.
de morte, e de cães feridos a uivar à porta da desolação.


uma espécie de miséria e de orgulho, escorrem no fundo de mim. e talvez seja a mistura venenosa da miséria com o orgulho que me há-de perder...


não tenho mais nada a dizer. os poemas morreram.
fugir tornou-se uma obsessão, ou então é a melhor maneira de encenar o desespero.
bebi águas inquinadas.
vi o corpo suspenso no rebordo dos poços, o coração batendo descontrolado.


mas a morte quando se aproxima, é uma coisa simples... vem comer à mão a cinza melodiosa dos dias.
por isso sei que, ao amanhecer, posso perguntar:
quantas áfricas murcharam na boca do amor?
quantas feras despedaçadas foram comidas ao entardecer?
quantos homens conseguiram apaziguar o relâmpago da paixão?
quantos desejos ficaram abandonados na escuridão intacta dos quartos?


a qual dos demónios me vender?
que besta suja será preciso adorar?
em que sangue contaminado mergulharei a língua?
que fogo estranho é este? que devora a beleza interior das coisas...
que mentira me poderá salvar?


uma golada de veneno e eis que se acende o talento
o rumor preciso das sílabas. o choro e o riso.
o brilho gelado das imagens.
então ergo o cachimbo onde guardo o ouro- e vou pelo engano das palavras.


descubro a febre, a ânsia do eterno viajante.
abro as mãos, solto as borboletas e os pássaros- que dizem ser a alma dos mortos.
um espelho onde não me reconheço. mas o pior é que nunca acreditarei no que me disseram, e parti o espelho.


o azar nunca mais me largou, e também não posso dizer que os negócios me tenham corrido bem.
foi maldição, dizem.
paciência. mas não há maldição sem desejo - e eu não páro de desejar, sôfrego... capaz de arriscar a vida e a razão.
ou de matar.



III de morte rimbaud dita em voz alta no coliseu de lisboa, a 20 de novembro de 1996, in Horto de Incêndio, Al Berto

quinta-feira, março 15, 2007

terça-feira, março 13, 2007

as mudanças operam-se lentamente e para isso remetemo-nos ao silêncio das reflexões interiores. espera-se que passe.

quinta-feira, março 08, 2007

sunset over my head


(por Contradições)

terça-feira, março 06, 2007

voar mergulhar caminhar

(the blue circus, Chagall)

no mundo dos sonhos tudo é possível....

sexta-feira, março 02, 2007

online

( por Contradições)

quinta-feira, março 01, 2007

divagando

E tudo começa sempre com o verbo
Uma pequena palavra que pode salvar
Mil actos desconcertados ou provocar
Outros tantos
Palavras pequenas ou grandes
Inócuas ou feras

E tudo começa sempre com o movimento
Do corpo que se trai
Do olhar que muda
Das mãos que dançam

E tudo começa sempre com a divagação
Sobre quem e o quê e porquê
E o que será e quem o disse
ou será que o dirá????

E tudo começa quando tudo acaba
E se recomeça …

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

terça-feira, fevereiro 27, 2007

as nuvens estão altas no céu
sobrevoas o passado em direcção a um mundo novo
tens receio de voar
mas o espírito vai alto e ultrapassa-o
vinga a vontade de mudança

domingo, fevereiro 25, 2007

contagem final
finalmente
será o fim?

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

A contradição entre o desejo de estar presa e o desejo de liberdade

O querer pertencer e o querer voar

O que é mais forte?

A ligação empática, telepática, enfática?

A ligação carnal, real?

As contradições entre o desejo de ter e o desejo de ser…


quarta-feira, fevereiro 21, 2007

that leaving feeling

I got that leaving feeling and this time it's here to stay

I've been weighing up the pulling and pushing me away

The past is just so heavy, but it's something that I can't leave

And this future is so uncertain, it pushes me to my knees

is that your heart talking or just that befuddled mind?

The people that you love they change when you leave them behind

But this road that is pulling is weared down to a thread

And if I don't start climbing pretty soon it'll be over my head

We all have dreams of leaving we all want to make a new start

Go and pack that little suitcase with the pieces of our hearts

All those worries and those sorrows, we can just toss them away

Buy a coffee and a paper and go step on to a train

But I've been to long wondering, limping around this town

with everything that is pulling, is pulling me further down

Go and make all your excuses and say all your goodbye's

But take a look in the mirror it's the hardest one you'll ever find

All those worries and those sorrows, we can just toss them away

Go and find a new tomorrow and forget about your yesterdays

go and pack your ideas and kiss your kids goodbye

leave the keys on the mail with the sadness that's in your eyes

maybe tomorrow, today looks like it's bringing rain

and I'll leave everything in order, don't want nothing standing in my way

there're jobs that need attending and the logs that are waiting to stock

and I'll leave everything in order, don't want nothing gonna hold me back

Stuart A. Staples, leaving songs

Aos muitos sorrisos


resta da folia um sorriso descartável
outros sorrisos estão gravados
e esses mão nenhuma apagará...

sábado, fevereiro 17, 2007

RETOMA-SE LENTAMENTE A RESPIRAÇÃO

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

how much longer?

inquietudes

a inquietude transpira dos poros da espera
resoluções sem solução à vista teimam em existir
fica o dito pelo não dito
a promessa do que seria e não foi
o desejo expresso e não concretizado
inquieta irrequieta insurrecta
estou

sou
sinto-me

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

blablablablabla......





SE POR ACASO ME VIRES POR AÍ
DISFARÇA, FINGE NÃO VER
DIZ QUE NÃO PODE SER
DIZ QUE EU MORRI NUM ACIDENTE QUALQUER
CONTA O QUANTO QUISESTE FAZER
EXALTA A TUA VERSÃO
DEPOIS SUSPIRA E DIZ QUE ESQUECER
É A TUA PROFISSÃO

E OUVE-SE AO FUNDO UMA LINDA CANÇÃO
DE PAZ E AMOR

SE POR ACASO ME VIRES POR AÍ
VAMOS TOMAR UM CAFÉ
DIZ QUALQUER COISA, TELEFONA, ENFIM
EU AINDA MORO NA SÉ
ENCAIXOTEI UNS PAPÉIS E NÃO SEI
SE HEI-DE DEITAR TUDO FORA
TENHO UMA SÉRIE DE CARTAS PARA TI
TODAS DE UMA TAL DE DORA

E OUVE-SE AO FUNDO CANÇÕES TÃO BANAIS
DE PAZ E AMOR

SE EU POR ACASO TE VIR POR AÍ
PASSO SEM SEQUER TE VER
NATURALMENTE QUE JÁ TE ESQUECI
E TENHO MAIS QUE FAZER
QUERO QUE SAIBAS QUE CAGO NO AMOR
ACHO QUE FUI SEMPRE ASSIM
ESPERO QUE ENCONTRES TUDO O QUE QUISERES
E VÁS PARA LONGE DE MIM

E OUVE-SE AO FUNDO UMA VELHA CANÇÃO
DE PAZ E AMOR
(...)
JP SIMÕES, SE POR ACASO

terça-feira, fevereiro 13, 2007


" os momentos são sempre cósmicos"

e o movimento é tudo...



movimento: acção de mover ou de mover-se; mudança de um corpo ou de alguma das suas partes de um lugar para o outro, de uma para outra posição; deslocação; maneira como alguém move o corpo; corrente de água; fluxo e refluxo; acção, variedade, animação; impulso de paixão que desperta na alma; sentimento; mudança no viver e no pensar dos povos; revolução; a marcha real ou aparente dos corpos celestes; mudança pela qual um corpo é sucessivamente presente em diferentes partes do espaço; estado e um corpo cuja distância em relação a um ponto fixo muda continuamente; qualquer função animal que mude a situação, a figura, a grandeza de alguma parte interior ou exterior do corpo.

in Grande Dicionário da Língua Portuguesa

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Cardo do mar


mapa

abres o mapa da europa e
assinalas o lugar perdido junto ao mar- o sol
fulmina a narceja e o leite sábio das mães
coalhou num sabor a plânton e húmus

na floreira da janela virada ao mar
secaram os goivos dos navegantes e um cardo amarelo
irrompeu hisurto e firme - o tempo chuvoso
alastra pelas ruelas insinuando-se na alma
uma babugem grossa de maresia - a europa afasta-se
com seus falhanços ao som dos tambores de água

recordas assim a noite varada à porta dos grandes frios
o corpo carbonizado que perdeu a nacionalidade
as cidades sem nome o acidente a auto-estrada
o recado deixado no café a cerveja entornada
o alarme da noite a fuga
a terra dos gelos eternos a viagem sem fim a faca
rente ao pescoço e os comboios e a ponte ligando
a treva à treva
um país a outro país - onde dissemos coisas que matam
e largam rastros de aço nas pálpebras

mas
no cansaço da torna -viagem no desalento de tudo
o mapa da europa ficou aberto no sítio
onde desapareceste

ouço o atlântico uivando ao abandono
enquanto os dedos se cansam a pouco e pouco
na lenta escrita de um diário - depois
fecho o mapa e vou
pela crueldade desta década sem paixão


Al Berto, Horto de Incêndio



Sigur Rós

Afasia

em suspenso
tudo está suspenso
a respiração o pensamento a razão o coração

em suspenso
até conseguir voltar a respirar
em suspenso

até...

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

E ainda o tempo...

os dias correm entre a pilha de trabalho e tudo o resto
fechamos os olhos... e já passou mais um e outro e outro e mais outro ainda
e nós estamos onde?
no mesmo lugar, entre a mesma pilha de trabalho.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

ciclos

euforia angústia insegurança desilusão dor choro dormência despertar levantar sorrir
euforia ...

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

é quase fim-de-semana... mais umas horas e é fim-de-semana.
é fim mas parece o início...

terça-feira, janeiro 30, 2007

TRAVELLING LIGHT

?

Ai as angústias e os dramas alheios
Tão próximos dos nossos
Que empatia se cria
Deixa-me retirar este ponto de interrogação que habita o meu externo
Talvez assim consiga ser racional.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Escadas




(Thibaut)

Escadas que se descem

escadas que se sobem

metáfora banal da vida

quarta-feira, janeiro 24, 2007

um dia como os outros

trânsito
filas de carros
voltar para trás
chegar em cima da hora
não ter tempo para o café
falar para o boneco
mandar calar
impedir incêndios
travar pontapés
mandar para a rua
ensinar que f***** é asneira
ufffff,
home sweet home

terça-feira, janeiro 23, 2007

Mysteries

Velocidade

Corre, corre mais depressa,
caminha por entre os destroços
Descobre a vida moribunda debaixo de capas e máscaras
ENCONTRA OS DESPOJOS DO PASSADO RECENTE
Corre, anda, arrasta-te, gatinha,
coloca-te em posição fetal e tenta encontrar o conforto
Corre, foge, persegue as sombras que te cercam
Vê os fantasmas do futuro
Corre, continua a correr
Não pares para observar os castelos de areia
Eles desmoronam-se com sopro da vida
Corre, coragem, não te canses, não desistas
Está mesmo ali
Corre, corre mais depressa
Corre…

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Love will tear us apart



Atenção!

Aviso a toda a população: perigo iminente!
Um desequilíbrio emocional aproxima-se rapidamente da costa, ameaçando todos aqueles que estejam afectos por crises de insegurança.
A protecção civil aconselha aos corações mais frágeis a permanecerem em casa, prevê-se que este desaire dure quatro dias, até lá reforce a sua segurança sentimental!

quinta-feira, janeiro 18, 2007

" Os homens costumam chamar destino àquilo que lhes acontece quando perdem as forças para lutarem".

quarta-feira, janeiro 17, 2007


. . .


Em aberto, em suspenso
fica tudo o que digo.

E também o que faço é reticente...

Alexandre O'Neill

terça-feira, janeiro 16, 2007

ollhar



Percorre a estrada à procura do abismo onde te irás perder.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

segundas


Segunda-feira arrastas-te da cama para o trabalho com o peso nos olhos das noites soltas do fim de semana; o raciocínio está adormecido e as palavras demoram a sair, enquanto a cafeína não produz o seu efeito. lentamente, e perante o ruído que se instala à volta, vais despertando, os movimentos transformam-se, a energia vai tomando conta do corpo que se regenera.
( imagem por Julie Morstad)

quinta-feira, janeiro 11, 2007

I wish

(imagem por Julie Morstad)

Gostava de poder dizer tudo aquilo que sinto, mas não sei o que sinto, apenas sinto. A simples transformação do sentimento em verbum, aniquilá-lo-ia. É por isso que evito a palavra, é por isso que evito o confronto derradeiro com a reflexão. A real fantasia ou a fantasia realista é um mundo bem mais confortável do que a própria realidade; podemos recriá-la a nosso bel-prazer. O perigo de o fazermos é ficarmos presos nessa masmorra lírica eternamente e de nos esquecermos do essencial, que é viver.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Con toda a palabra




Lhasa de Sela

mmmm

A meia luz
a meio gás
a meio da semana
a meio do mês
a meio da vida
sinto que está tudo a meio
sinto que nada finaliza
sinto o vazio que está entre o princípio e o fim
sinto o nada

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Hoje


Hoje acordei muda

as palavras custavam a sair

a boca estava seca e sequiosa

Hoje acordei com os gritos do meu pensamento

quer falar mais alto que eu

tomar conta da minha voz

mas eu não deixei

Hoje acordei com a ressaca sentimental

Ontem acordei com a ressaca física

Hoje expulsei alguns demónios

Hoje venci mais qualquer coisa.

domingo, janeiro 07, 2007

O domingo é um dia como os outros?

quarta-feira, janeiro 03, 2007

intertextualidades


Cleo também tecia o passado, o presente e o futuro dos humanos...
seria com os seus cabelos?
A matéria parece ser interminável
sob o olhar expectante dos que por ela não são atingidos.
O que esperar ao certo?... apenas o incerto...
" E acaso o nosso destino, tac!, vai mudar?"

terça-feira, janeiro 02, 2007

primeiro do ano

(Kandinsky, on-white II)

Por entre os objectos, as situações, o tempo
há-de surgir a vida...
Mais um ano para viver
vamos vivê-lo com muitos sorrisos.

domingo, dezembro 31, 2006

Balanços, balancinhos e baloiços


(Edward Gorey)





Estamos na época em que se olha para trás e faz-se o balanço, em que se olha para a frente e delineam-se projectos, fazem-se promessas, exprimem-se desejos.



Detesto balanços, prós e contras, refexões, não me apetece...Quanto ao futuro...prefiro o presente, sempre está mais actualizado.



Confesso que esta não é a minha altura do ano favorita.



Mas que venha 2007 no meio da festa com balanços ou baloiços que estaremos cá para o receber como manda a tradição.



FELIZ ANO NOVO!!!!!!!!

quarta-feira, dezembro 27, 2006

lullaby

Uma canção para embalar os sonhos e os sonos meio perdidos por esses caminhos...

domingo, dezembro 24, 2006

Feliz Natal

( anjo de natal, Wendy Morris)


Gezur Krislinjden ( Albanês)

Frohe Weihnacht ( Alemão)

Shenoraavor Nor Dari yev Pari Gaghand (Arménio)

Bon Nadal ( Catalão)

Chuk Sung Tan ( Coreano)

Buenas Pascuas (Espanha)

Feliz Navidad (América Latina)

Hyvää joulua ( Filandês)

Joyeux Noël ( Francês)

Kala Christougena ( Grego)

Merry Christmas ( Inglês)

Buon Natale ( Italiano)

Merii Kurisumasu ( Japonês)

Kung His Hsin Nien ( Mandarim)

GOD JUL ( Norueguês)

S prazdnikom Rozdestva Hristova ( Russo)

Klidné prožití Vánoc ( Tcheco)

God Jul ( Sueco)

Srozhdestvom Kristovym ( Ucraniano)


in Wikipedia

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Amigo



Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo»

«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

«Amigo» ( recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!

«Amigo» é o erro corrigido,
Não o perseguido, explorado,
É a palavra partilhada, praticada.

«Amigo» é a solidão derrotada!

«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!

Alexandre O'Neill, Poesias Completas, Assírio & Alvim

terça-feira, dezembro 19, 2006

That´s the spirit

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Eu...sou

(Les Fredes)

Com Uma Viagem Na Palma da Mão


Agarras-te à hora

Em que o tempo não passou

Mergulhas nas cores

Que a loucura te emprestou

E quando te vês para lá do espelho

Encontras a solidão


Descobres o Mundo

De quem tem pouco a perder

E sobes às estrelas

Que ontem não podias ver

E perdes o medo de estar só

No meio do multidão


Tradições

Atrás de contradições

Fizeram-te abrir os olhos

Podes dizer:

Eu... sou



Jorge Palma

domingo, dezembro 17, 2006

Manhãs

(Klimt)

Sol, fim- de- semana, manhãs matutinas...
Há quanto tempo não vos via...

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Há dias

Há dias em que tudo parece ruir, todos os sonhos, todos os risos se transformam em melancolias.
Há dias em que a angústia persiste e insiste, mesmo sem razões aparentes.
Há dias em que o sol não chega para aquecer as pontas dos dedos, apesar de brilhar lá no alto.
Há dias em que simplesmente apetece fugir para um sítio distante.
Há dias em que a vida nos aparece à frente e nós voltamos-lhe as costas.
Há dias em que gostava de ser outra pessoa.
Há dias que não deviam existir.


this mortal coil- song to the siren

C'est moi???




Aquário é o décimo primeiro signo do Zodíaco. Os aquarianos são estranhos e gostam de ser assim. Estão sempre a sonhar e adoram fazer planos, quebrar as regras e conhecer novas pessoas. São bastante liberais. Têm poucos inimigos e muitos amigos. Não se preocupam com o que os outros possam pensar deles. São um pouco cabeças no ar. Apesar de serem bastante individualistas, gostam de trabalhar em grupo. Os nativos deste signo necessitam de espaço mas o amor tem um grande significado nas suas vidas. Aliás, quanto mais espaço tiverem mais fiéis serão. São o signo do amor fraterno. Principais características: independente, intenso, intelectual, revolucionário.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

I feel so sick...

E o que mais se pode dizer: nariz entupido; boca seca; dor de cabeça; calor e frio.
Bahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Entupimentos

(nariz nariz)

Mas porquê? Porquê este nariz entupido?...
Um nariz de largas dimensões deveria ter algum brio...
e não ser mais um igual aos outros nesta altura de espirros e calafrios.
Mas não, prefere permanecer entupido, causando à voz incómodos sons nasalados.

terça-feira, dezembro 12, 2006

Trapped

(plants)

A planta cresce por onde pode e como pode, assim lhe dêem liberdade para tal.

Sensações II

Leve, leve, muito leve,
Um vento muito leve passa,
E vai-se, sempre muito leve.
E eu não sei o que penso
Nem procuro sabê-lo.

Alberto Caeiro, Poesia, Assírio & Alvim

quinta-feira, dezembro 07, 2006

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Asas do desejo

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( Vitesse)
Novamente esta sensação de estar fechada entre quatro paredes...
Devolvam-me as minhas asas!!!

terça-feira, dezembro 05, 2006

Agridoce

Chocolate (Theobroma, que significa “frutos dos deuses”)

“Quem é que disse o que o chocolate não é um dos nutrientes fundamentais da dieta? (…) Era a bebida sagrada dos Astecas, estava relacionado com a deusa da fertilidade Xochiquetzal e só era consumida pela nobreza. O cruel conquistador do México, Hernán Cortés, provou-o na corte do imperador Moctezuma e pouco depois introduziu-o em Espanha, onde a sua fama de afrodisíaco era tanta que as mulheres o bebiam às escondidas. Cria tanta dependência e é tão excitante como o café – contém o alcalóide theobromine – mas além disso, é-lhe atribuído simbolismo nos ritos do cortejamento romântico(…)”

Afrodite, histórias receitas e outros afrodisíacos, Isabel Allende




Nouvelle Vague, Escape myself

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Sensações

Se eu pudesse trincar a terra toda
e sentir-lhe um paladar,
seria mais feliz um momento...
mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
para se poder ser natural...

Nem tudo é dias de sol
e a chuva, quando falta muito, pede-se
por isso tomo a infelicidade com a felicidade
naturalmente, como quem não estranha
que haja montanhas e planícies
e que haja rochedos e erva...

O que é preciso é ser-se natural e calmo
na felicidade ou na infelicidade,
sentir como quem olha,
pensar como quem anda,
e quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
e que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja.

poemas de Alberto Caeiro, Colecção de poesia. Edição Ática

domingo, dezembro 03, 2006

Mil e uma coisas

Tudo gira freneticamente
os pensamentos não são claros
as pessoas são sombras indefinidas na minha cabeça
as ruas os caminhos indicam um só sentido
o único que não consigo percorrer
mil a mil.... assim ando eu

sábado, dezembro 02, 2006

The Greatest

Cat Power

Enebriada

(Klimt)

com tudo o que cerca este momento

com os pequenos nadas que são tudo

com a própria ausência reconfortante

com a falta de coragem.