quarta-feira, outubro 10, 2007

Voo Nocturno

Agora já não vejo o sol
nem o seu reflexo lunar
levo as asas nos bolsos
e o coração a planar
neste voo nocturno
não sei onde vou aterrar
Sinto as nuvens nos meus pulsos
e o leme sempre a consentir
são sempre os mesmo ossos
que eu insisto em partir
neste voo nocturno
só quero mesmo resistir
Neste voo nocturno sou mais leve do que o ar
neste voo nocturno não sei onde vou acordar
Em baixo há manchas no canal
mas eu não as quero ver
o aeroplano está frio
e os hélices a ferver
o nariz do avião
só obedece a quem quiser
Agora não existe nada
o meu motor " ao ralenti"
vou revendo em surdina
tudo o que vivi
neste voo nocturno
a madrugada vem aí
Jorge Palma, Voo Nocturno

terça-feira, outubro 09, 2007

As palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.


Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.


Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.


Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?


Eugénio de Andrade

segunda-feira, outubro 08, 2007

black mirror

Espelho meu ...?

enumerações

Pára-olha-foca-vê-chora-anda-corre-ri-dorme-acorda-levanta-come-lê-ouve-fala-sente-come-dorme-ouve-sente-ouve-fala-ri-chora-pára-cai-levanta-dança-sai-...

nonsense


(no meio de uma interminável fila de trânsito)


-O meu carro está a andar para trás!! (pânico)

-Ah... afinal são os outros que recomeçaram a marcha.
( cartoon in sergeicartoons)

terça-feira, outubro 02, 2007

quarta-feira, setembro 26, 2007

"you' ve got to fight for a reason, what's your reason?"

( The Sunshine Underground, Borders)

terça-feira, setembro 25, 2007

voos e quedas

Num tempo aparentemente irreal, tirado de uma memória que não a minha, vivia uma criança num denso subúrbio da capital. Juntamente com os outros meninos do bairro, brincava na rua, ainda livre dos medos, das inseguranças, dos perigos.
Os meninos eram mais velhos e as brincadeiras despertavam sempre o olhar da criança, que os observava empoleirada na cadeira junto à janela do rés-do-chão. Naquele dia, eles saltavam por cima da enorme escadaria paralela ao prédio... voavam, assim parecia à criança, que com a coragem inconsciente dos quatro anos decidiu que também era capaz da proeza. Assim, apesar das vozes contrárias e protectoras dos meninos mais velhos, a criança tomou balanço, correu e.... saltou.
Voava! Pelo menos durante os três dos cinco degraus da escadaria, no quarto foi abatida e caiu. A chorar, com o joelho aberto e ensaguentado, lá foi para casa, com um disfarçado orgulho.
(imagem de Edward Gorey)

domingo, setembro 23, 2007


mar de prata
que reflectes um fim de tarde qualquer
nas ondas trazes as incertezas
no horizonte espelhas desejos
e qual oráculo te questionam
e o que virá a seguir?
(foto por Contradições)

terça-feira, setembro 18, 2007

Nada a Zero

Um certo sentimento niilista deu à costa e não sei o que fazer com ele

O tudo que era para mim no nada se transfigurou

Dois não fazem um todo

E o todo não implica ninguém

O tal e o certo alguém foram o zero na terra do nunca

E o agora já não tem tempo…

Alguém encontrou o rumo

Aqui perdeu-se o chão

Além é o nada

Aquém é o tudo

Nada é o meu mundo,

Zero! Perdi eu…

segunda-feira, setembro 17, 2007

"Tu disseste"


Tu disseste "quero saborear o infinito"

Eu disse "a frescura das maçãs matinais revela-nos segredos insondáveis"

Tu disseste "sentir a aragem que balança os dependurados"

Eu disse "é o medo que nos vem acariciar"

Tu disseste " eu também já tive medo. muito medo. recusava-me a abrir a janela, a tranpôs o limiar da porta"

Eu disse "acabamos a gostar do medo, do arrepio que nos suspende a fala"

Tu disseste "um dia fiquei sem nada. um mundo inteiro por descobrir"

Eu disse "..."


Eu disse "o que é que isso interessa?"

Tu disseste "...nada"


Tu disseste "agora procuro o desígnio da vida. às vezes penso encontrá-lo num bater de asas, num murmúrio trazido pelo vento, no piscar de um néon. escrevo páginas e páginas a tentar formalizá-lo. depois queimo tudo e prossigo a minha busca"

Eu disse "eu não faço nada. fico horas a olhar para uma mancha na parede"

Tu disseste "e nunca sentiste a mancha a alastrar, as suas formas num palpitar quase imperceptível?"

Eu disse "não. a mancha continua no mesmo sítio, eu continuo a olhar para ela e não se passa nada"

Tu disseste "e no entanto a mancha alastra e toma conta de ti. liberta-te do corpo. tu é que não vês"

Eu disse " o que é que isso interessa?"

Tu disseste "... nada"


( letra: Mão Morta; imagem: huene diveres)

sábado, setembro 15, 2007

dançando

( Les Freds)



Rodopio em torno de mim mesma,


dançando aquela música com a letra de sempre;


rodo à volta do passado, girando no presente,


à procura da saída do círculo, à procura do futuro...

quarta-feira, setembro 12, 2007

Tears for affairs



Shedding tears for affairs
I’m a funny little thing
I can tell you this for nothing
Affairs don’t win

Can you handle one more dirty secret?
One more dirty night?
Is it true what they say?
Will it make us go blind?

You had to drive
Look me in the eye
Whisper "don’t cry"

I’ll take an interest in Illustration
It should be a laugh
Your words are with me still
They whisper in the grass

Shedding tears for affairs
I’m a stupid little thing
I can tell you this for nothing
You won’t win

You had to drive
(I didn’t want to)
Look me in the eye
(I found it hard to)
Whisper "don’t cry"
(I had to whisper "don’t cry")
So I cried

( Camera Obscura)

segunda-feira, setembro 10, 2007

a banda sonora da festa



Impressionantes...!!


Roncos do Diabo

os momentos da festa

a animação...

a música....

a arte....



o fogo de artifício....



as pessoas...





a comida...

por Contradições

quinta-feira, setembro 06, 2007

num tempo distante, numa terra longínqua...


por Contradições

terça-feira, setembro 04, 2007

ruas

Nas ruas de calçada íngreme e escorregadia
Dei por mim à procura de um sinal
Por entre o musgo e a terra
As ruas não são oráculos
E a calçada não tem visões
Por isso caminhei em direcção ao rio
Procurando respostas sem fim
A água tinha secado
E o leito estéril nada dizia.
Voltei às ruas
Olhei para cima
Nos telhados passeavam gatos pretos luzidios
O sinal de má fortuna
Faltavam as escadas e o espelho partido.
As escadas já foram subidas e descidas tantas vezes
E o espelho já me disse que a bela não sou eu.
Portanto continuo a seguir as ruas de calçada íngreme
Esquecendo-me das respostas e buscando perguntas que eu saiba responder.

segunda-feira, setembro 03, 2007

passagens II

" E assim sou, fútil e sensível, capaz de impulsos violentos e absorventes, maus e bons, nobres e vis, mas nunca de um sentimento que subsista, nunca de uma emoção que continue, e entre para a substância da alma. Tudo em mim é a tendência para ser a seguir outra coisa; uma impaciência da alma consigo mesma, como uma criança inoportuna; uma desassossego sempre crescente e sempre igual."
in Livro do desassossego, composto por Bernardo Soares(...), de Fernando Pessoa, Assírio &Alvim

domingo, setembro 02, 2007

re-

vira e revira, o ano passa, repassa e parece sempre que sou perseguida por esse prefixo de repetição. setembro é o mês que começa com confiança e termina em desespero, pelo menos assim tem sido nos últimos.... seis anos?!. estou a ficar cansada mas dizem que quem corre por gosto, não cansa. por isso vou continuar a correr, com a confiança que o prefixo será um dia eliminado.

segunda-feira, agosto 20, 2007

passagens

" O silêncio.
Não os silêncios. (...)
Há silêncios plácidos e outros convulsos. Silêncios alegres e outros dramáticos. Há aqueles que cheiram a incenso, e os que tresandam a estrume."

in As mulheres de meu pai, de José Eduardo Agualusa

domingo, julho 29, 2007

Férias!!


terça-feira, julho 24, 2007

"I think i feel a little hurt"


(Francesca Woodman)

quarta-feira, julho 18, 2007

acção animal- anti-touradas

Talvez seja um pouco forte a comparação feita nesta campanha, mas a verdade é que à luz da tradição e do cumprimento de actos culturais se vão cometendo verdadeiras atrocidades.

Embora me custe muito pensar no sofrimento dos animais, consigo até entender a questão cultural da tourada para aqueles que sempre viveram nesse e para esse mundo, não consigo entender é que se vá assistir a touradas para se exibirem farpelas e personagens mais ou menos conhecidas nesse mundo fantástico do social rosa choque, já que parece ser moda em hoje dia aparecer nestes "eventos".

Recordo sempre o conto Miura, de Miguel Torga, onde um touro pressente o sofrimento do seu companheiro na arena, antecipando ansiosamente o seu próprio. Este só consegue atenuar a ansiedade ao refugiar-se na memória dos pastos verdejantes que percorria na sua juventude, até voltar para a realidade que o espera...

Dá sempre o que pensar.

terça-feira, julho 17, 2007

paris through the window


também me apetecia ver Paris através de uma janela, mesmo que embaciada....

quinta-feira, julho 12, 2007

"avaliações"- parte II

"Candidatos a professor terão de fazer no mínimo dois exames.

Todos os candidatos a professor terão de realizar, pelo menos, dois exames, com uma duração total de quatro horas, ficando impedidos de aceder à carreira com uma classificação inferior a 14 valores, segundo uma proposta do Ministério da Educação.
De acordo com o documento, que regulamenta o Estatuto da Carreira Docente (ECD) no que diz respeito à entrada na profissão, a prova de ingresso inclui um exame comum a todos os candidatos, no qual são avaliados o domínio da língua portuguesa e a capacidade de raciocínio lógico. "
in Diário Digital


Após a conclusão da licenciatura, quer fosse via ensino ou ramo de formação educacional, o "candidato a professor" passava por um estágio profissional, onde era seguido por um orientador na escola, diariamente, e por um formador da faculdade a que pertencia, que vinha mensalmente assistir e avaliar o estagiário na prática de ensino. Cumulativamente, o formando teria ainda de realizar um seminário na faculdade.
Isto há uns anos... até alguém se ter dado conta (finalmente) que se formava mais professores do que as necessidades reais do país e que estes estavam a ficar no desemprego. Desta forma, para quê despender tanto do precioso dinheiro na formação de gente que nem sequer a iria pôr em prática?
A solução criada para o problema veio apenas tapar o sol com a peneira, pois perante a falta de coragem de suspender os estágios surgiu a ideia de suspender sim o salário desses aprendizes, retirando-lhes turmas, horário e estatuto. O resultado é uma formação deficitária sem prática pedagógica relevante.
Esta nova medida que agora é apresentada não seria necessária na modalidade de profissionalização anterior, actualmente até percebo que o seja, mas não nos moldes em que surge definida, avaliando-se em exame os conhecimentos específicos e científicos, pois estes terão sido devidamente perscrutados pelos docentes universitários durante a formação académica. O que vai continuar a falhar é a parte pedagógica, fundamental para se sobreviver numa sala de aula com trinta alunos desmotivados e programas extensos. E é esta prática que deve ser avaliada no ingresso à "carreira" docente, bem como uma avaliação séria do perfil psicológico do candidato, tendo em conta tudo aquilo que terá de aguentar...

"avaliações"

"As notas dos alunos de cada docente e a sua comparação com os resultados médios dos estudantes da mesma escola constituem um dos factores determinantes da avaliação de desempenho dos professores, segundo uma proposta do Ministério da Educação (ME), ..."
in Portugal Diário

LOL, adoro estas medidas de avaliação dos professores. É-se bom profissional consoante o sucesso dos alunos, eu já vi isto antes e sei no que vai dar... e mais não digo!

terça-feira, julho 10, 2007


e como não podia deixar de ser...

para as minhas ginas!!

sonhos


As conversas de café cruzam-se no subconsciente, asssim sonhei que o novo cumprimento era a "lambidela" facial, pelo que o mercado, sempre atento, já tinha lançado toalhitas descartáveis com sabor a chocolate (o logotipo e a embalagem mantém-se vivos na memória) para que o cumprimento fosse ainda mais "agradável". Tudo isto devidamente publicitado no programa da Oprah.
Mas com tanta coisa boa com que sonhar....

segunda-feira, julho 09, 2007

outra vez?

a voracidade do tempo consome todos os minutos do dia,

pode ser que essa turbulência passe

e estabilize tudo o que envolve a alma.

o cansaço, entretanto, apodera-se do corpo

e só o sono profundo é desejado,

aquela dormência que nada afecta.

a vida passa incólume e sem dor.

tão fácil...

custa tomá-la nas mãos e decidir e agir,

mas... voltar atrás e anestesiar todos os sentimentos,

procurar refúgio numa bolha de sabão....

outra vez? não!

segunda-feira, julho 02, 2007

dress sexy at my funeral

just kiss


lips, Andy Warhol

quinta-feira, junho 28, 2007

" Errar é humano"

Por que motivo sou eu tão humana?

quarta-feira, junho 27, 2007

insânia ou insónia?

Dama e o vagabundo…
O cão late,
rola e rebola,
vermelhas garras
esperam o momento,
uiva o vento,
bufa a paciência perdida:
aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
quem a agarre,
está louca e gane
(como o cão)…
É demasiado o convívio,
Dias a fio fechada
À espera de quê?
Do príncipe encantado?
Mas tem quantos anos?
Ah…! É verdade, estamos nos contos de fada…
Prefiro o barba azul, pelo menos não anda em cavalos brancos
Lailailailailailai….
Dorme….
O cão!
Ainda funcionam, os contos de fada!

estar sempre presente


o conto antigo da Gata Borralheira,

o João Ratão e o Barba Azul e os 40 Ladrões,

e depois o Catecismo e a história de Cristo

e depois todos os poetas e filósofos;

e a lenha ardia na lareira quando se contavam contos,

o sol havia lá fora em dias de destino,

e por cima da leitura dos poetas as árvores e as terras...

só hoje vejo o que é que aconteceu na verdade.

que a lenha ardida, exactamente porque ardeu,

que o sol dos dias destino, porque já não há,

que as árvores e as terras (para além das páginas dos poetas)...-

que disto tudo só fica o que nunca foi:

porque a recompensa de não existir é estar sempre presente.


Alberto Caeiro, Poesia, Assírio & Alvim

(imagem: ilustrações de Julie Morstad)

segunda-feira, junho 25, 2007


"como sabem, sonhar com o mar é sonhar com as lágrimas, e não as lágrimas leves dos momentos felizes, mas as lágrimas de qualquer tristeza que está para chegar..."


Quantas madrugadas tem a noite, Ondjaki

quarta-feira, junho 20, 2007

red right hand

terça-feira, junho 19, 2007

Pouco me importa.
Pouco me importa o quê? Não sei: pouco me importa.

Alberto Caeiro, Poesia, Assírio & Alvim

segunda-feira, junho 18, 2007

dias molhados I

os dias molhados
de pés na lama
risada da criança
e gentileza do lavador de carros
"professóra ca podê molhá pés"
ou qualquer frase parecida
que o tempo apaga da memória
palavras e pronúncias doces

quarta-feira, junho 13, 2007

noite de festa





















segunda-feira, junho 11, 2007

acordar


um dia acordas e já lá não estás, desapareceste das páginas reescritas pelo tempo, eu fico sem saber se hei-de comunicar o desaparecimento ou regozijar-me pela liberdade momentânea. de qualquer das formas o alívio é agradável, sabe bem respirar... poder voltar a escrever em páginas brancas, imaculadas, sem manchas de lágrimas, só com resquícios de risos que ecoam através das palavras agora invisíveis. tu continuas por esses sonos e sonhos, mas cada vez mais profundos. todos os dias eu acordo mais um pouco desse sono.

(imagem: dance me to the end of love)

quinta-feira, junho 07, 2007

"quantas madrugadas tem a noite"

"Uma noite, quantas madrugadas tem? Andas a contar? Eu não. Lhes apanho só, conforme lhes vejo e sinto. Atrevo: uma só noite tem bué de madrugadas; cada uma dessas madrugadas tem bué de brilhos. Confesso-me aqui, nos lábios da sinceridade: gosto muito disso- acreditar no impossível das palavras, lhes maltratar no português delas, ser livre na boca das estórias e me deixar tar aqui, sentado dentro de mim, abismático. E sonhar!, sonhar até chegar nesse quintal onde dentro de mim nascem barulhos e não só: nascem brilhos. Vejo búzios que riem à toa e aprendo: posso descansar as vozes como se fossem conchas de pousar na areia depois de lhes apanhar numa noite de lua brilhante. Depois do barulho das vozes os búzios se calam e eu, no respeito, me calo também."
Quantas madrugadas tem a noite, Ondjaki, Caminho- Outras Margens

quarta-feira, maio 30, 2007

declare independence

segunda-feira, maio 28, 2007

lembranças

trocas imagens do passado
que espelham sonhos infantis
e realidades de fantasia
erguidas entre bonecos de trapos

um mundo paralelo crescia
entre os malmequeres e os bem-me-queres
os brincos de rainha e os de princesa
os miosótis e as rosinhas rosas

a água da chuva desaguava
na caverna dos bichos da conta
e os olhos brilhavam e sonhavam
com aventuras e descobertas

e saltavas, corrias, brincavas
e eras tudo o que querias.

segunda-feira, maio 21, 2007

saudades



Cidade


Cidade, rumor e vaivém sem paz das ruas,
Ó vida suja, hostil, inutilmente gasta,
Saber que existe o mar, e as praias nuas
Montanhas sem nome e planícies mais vastas
Que o mais vasto desejo,
E eu estou em ti fechada e apenas vejo
Os muros e as paredes, e não vejo
Nem o crescer do mar, nem o mudar das luas.

Saber que tomas em ti a minha vida
E que arrastas pela sombra das paredes
A minha alma que fora prometida
Às ondas brancas e às florestas verdes.


( imagem por João Barbosa: praia do norte, são vicente, cabo verde; poema: Sophia de Mello Breyner)

sexta-feira, maio 18, 2007

ziiiiiiiiiiiirr...... THEC!

terça-feira, maio 15, 2007



Vicent, Tim Burton

sábado, maio 12, 2007

PACE NON TROVO...




Pace non trovo, e non ò da far guerra,
E temo e spero, ed ardo e son un ghiaccio,
E volo sopra'i cielo e giaccio in terra
E nulla stringa e tutto' l mondo abbraccio.

Tal m'ha in prigion che non m'apre né serra,
Nè per suo mi riten né scioglie il laccio,
E nonm'ancide Amore e non mi sferra,
Nè mi vuol vivo né mi trae d'impaccio.

Veggio senza occhi; e no ò lingua grido,
E bramo di perir, e cheggio aiuta,
Ed ho in odio me stesso ed amo altrui.

Pascomi di dolor, piangendo rido,
Egualmente mi spiace morte e vita:
In questo stato son, Donna, per vui.



Petrarca, Cancioneiro

sexta-feira, maio 11, 2007

e mais uma vez

a sorte acompanha-me...

quinta-feira, maio 10, 2007

e mais uma vez...

mais uma vez chegámos ao tempo da espera
e a espera gosta de se fazer esperar
tem todo o tempo do mundo para sacrificar
enquanto espero e não espero, procuro não desesperar...
tic-tac tic-tac tic-tac

terça-feira, maio 08, 2007

inertia creeps



massive attack

!!!

- Grita!
- O silêncio é ensurdecedor...
- Corre!
- A estagnação é permanente...
- Foge!
- Os trilhos foram apagados...

Balança entre desesperos momentâneos e as euforias constantes numa bipolaridade latente...

segunda-feira, maio 07, 2007

cinco sentidos mais um

domingo, maio 06, 2007

A RAPARIGA VODU





















É feita de retalhos,


tem pele de algodão


e muitos alfinetes coloridos


saídos do coração.


















Tem um magnífico par


de olhos em espiral


por si utilizados


para hipnotizar namorados.


















Tem muitos zombies diferentes


de que nunca se cansa.


Até tem um zombie


oriundo de França.


















Mas sabe que não pode vencer


a sua terrível maldição,


pois se alguém se aproxima dela


perfura-lhe o coração.


















( Tim Burton, A morte melancólica do rapaz ostra & outras histórias, Antígona)


sexta-feira, maio 04, 2007


fim de semana, finalmente...

a semana arrasta-se perante as indefinições futuras.

dizem que é mais uma e a seguir respostas surgirão.

(isto parece retirado de um qualquer horóscopo... hmmm... será um caso a pensar??)
( imagem por Les Freds)

quinta-feira, maio 03, 2007

são os poetas em potência (?)


" a acção, quanto ao espaço, situa-se no colo de alabastro"
(imagem: Modigliani; frase: anónimo)

quarta-feira, maio 02, 2007

nem tudo o que parece é...

sexta-feira, abril 27, 2007

SENHAS
Eu não gosto do bom gosto
eu não gosto do bom senso
eu não gosto dos bons modos
não gosto
eu aguento até rigores
eu não tenho pena dos traídos
eu hospedo infractores e banidos
eu respeito conveniências
eu não ligo pra conchavos
eu suporto aparências
eu não gosto de maus tratos
mas o que não gosto é do bom gosto
eu não gosto do bom senso
eu não gosto dos bons modos
não gosto
eu aguento até os modernos
e os seus segundos cadernos
eu aguento até os caretas
e as suas verdades perfeitas
o que eu não gosto é do bom gosto
eu não gosto do bom senso
eu não gosto dos bons modos
não gosto
eu aguento até os estetas
eu não julgo competência
eu não ligo pra etiqueta
eu aplaudo rebeldias
eu respeito
eu compreendo piedades
eu não condeno mentiras
eu não condeno vaidades
o que eu não gosto é do bom gosto
eu não gosto do bom senso
não, naõ gosto dos bons modos
não gosto
eu gosto dos que têm fome
dos que morrem de vontade
dos secam de desejo
dos que ardem
( adriana calcanhoto)

quinta-feira, abril 26, 2007

RIR,ROER

E se fôssemos rir,
rir de tudo, tanto,
que à força de rir
nos tornássemos pranto,


Pranto colector
do que em nós sobeja?
No riso, na dor,
que o homem se veja.


Se veja disforme,
se disforme for.
Um horror enorme?
Há outro maior...


E se não houver,
o horror é nosso.
Põe o dente a roer,
leva o dente ao osso!

Alexandre O'Neill, Poesia Completa, Assírio & Alvim

quarta-feira, abril 25, 2007

25 DE ABRIL


terça-feira, abril 24, 2007

A importância de se escrever "variante"

A importância da palavra variante era-me desconhecida. Podemos argumentar que todas as as palavras são importantes ou até mesmo imprescindíveis, pois a mais insignificante pode alterar toda a coerência de um texto, pode mudar uma intenção comunicativa, transformar um acto ilocutório. Mas depende sempre do contexto.

Variante :


do Lat. variante


adj. 2 gén.,
que varia;
variável;
inconstante;
diferente;


s. m.,
diferença;
variação;
diversidade;
modificação;
cambiante;
ramal de uma via de comunicação, cujo estudo é feito por uma directriz diversa da do projecto primitivo;
diz-se de cada uma das versões escritas ou faladas de um texto ou narrativa.


Neste caso, a palavra variante foi a culpada do meu estado inválido, ou melhor a sua ausência. Ah! Estava a esquecer-me, o scroll também serviu de bode expiatório!
Não adoram preciosismos?
E já agora, desculpem -me a ignorância... mas o que é o scroll?

segunda-feira, abril 23, 2007

por tua conta e risco

A incompetência e incongruência alheia sempre me causaram espécie, especialmente quando prejudica o desempenho dos outros. Mais do que o desempenho, esta falta de cuidado colocou em risco o meu futuro profissional ( podem perguntar qual futuro...), bem sei que estou a dramatizar, mas a forma como se desenrola todo o actual processo de candidatura tem como objectivo a exclusão de candidatos e não a sua colocação...
Como a minha situação presente é inválida ( sim, tornei-me inválida de um dia para o outro), tenho agora um prazo de aperfeiçoamento, contudo ( atenção aos incautos) mesmo que me re-transforme em válida, há sempre a possibilidade de a minha candidatura ser excluída, pois devido ao programa, a candidatura tornar-se-á inconsistente, pelo que terei de reclamar.
Desta forma prevejo muita irritação, transtorno e mais uns fios brancos...
Valerá a pena tanto?

quinta-feira, abril 19, 2007

Cinetismo

(Jesús-Rafael Soto, Penetrable, 1997)

o movimento oscilante da memória agita-se em consonância com o movimento pautado pelos sons que a rodeiam, penetra lentamente nesse mundo, a medo, tacteando as sombras e os objectos inertes, tentando escapar ilesa.
do outro lado avista apenas vultos que se agitam ao sabor do vento e procura alcançá-los, porque eles parecem ser o tudo e o nada que deseja.

quarta-feira, abril 18, 2007


Estrela do Mar


Numa noite em que o céu tinha um brilho mais forte

E em que o sono parecia disposto a não vir

Fui estender-me na praia, sózinho, ao relento

E ali longe do tempo, acabei por dormir
Acordei com o toque suave de um beijo

E uma cara sardenta encheu-me o olhar

Ainda meio a sonhar perguntei-lhe quem era

Ela riu-se e disse baixinho: estrela do mar



"Sou a estrela do mar só a ele obedeço

Só ele me conhece, só ele sabe quem sou

No princípio e no fim

Só a ele sou fiel e é ele quem me protege

Quando alguém quer à força

Ser dono de mim..."



Não sei se era maior o desejo ou o espanto

Só sei que por instantes deixei de pensar

Uma chama invisível incendiou-me o peito

Qualquer coisa impossível fez-me acreditar
Em silêncio trocámos segredos e abraços

Inscrevemos no espaço um novo alfabeto

Já passaram mil anos sobre o nosso encontro

Mas mil anos são pouco ou nada para estrela do mar



"Estrela do mar

Só a ele obedeço

Só ele me conhece, só ele sabe quem sou

No princípio e no fim

Só a ele sou fiel e é ele quem me protege

Quando alguém quer à força

Ser dono de mim..."

(letra:Jorge Palma; imagem: bar du solei,Henry Clarke, Vogue)

terça-feira, abril 17, 2007

DIZ-ME....

quanto tempo olhas para uma flor e sentes o seu perfume?
quanto tempo olhas para um campo e te deitas na relva?
quanto tempo olhas para uma árvore e trepas os seus ramos?
quanto tempo olhas para o rio e mergulhas no seu leito?
quanto tempo mais vais continuar a olhar para fora e esquecer-te de ti?


wondering

(Andy Warhol)

segunda-feira, abril 16, 2007

CHEIRA A PRIMAVERA

TRANSPIRA-SE VERÃO

SENTEM-SE OS SENTIDOS

OS CINCO MAIS UM

QUE FAZ O SEXTO...

O SEXTO SENTIDO DESPERTO

E ESPERTO

domingo, abril 15, 2007

de cortar à faca

( Andy Warhol)

quinta-feira, abril 12, 2007

no surprises

Tenho e não tenho

tenho saudades de não ter saudades de não ter medo de não ter ciúmes de não ter vontade de não sentir de não gostar de não tremer de não chorar de não gritar de não voltar de não escrever de não querer de não te ter de não ter tenho saudades tenho saudades tenho saudades tenho saudades tenho tenho tenho tenho eu eu eu eu eu eu eu

quarta-feira, abril 11, 2007

should they?

(Andy Warhol)

terça-feira, abril 10, 2007

O POEMA POUCO ORIGINAL DO MEDO

O medo vai ter tudo
pernas
ambulâncias
e o luxo blindado
de alguns automóveis

Vai ter olhos onde ninguém os veja
mãozinhas cautelosas
enredos quase inocentes
ouvidos não só nas paredes
mas também no chão
no tecto
no murmúrio dos esgotos
e talvez até (cautela!)
ouvidos nos teus ouvidos

O medo vai ter tudo
fantasmas na ópera
sessões contínuas de espiritismo
milagres
cortejos
frases corajosas
meninas exemplares
seguras casas de penhor
maliciosas casas de passe
conferências várias
congressos muitos
óptimos empregos
poemas originais
e poemas como este
projectos altamente porcos
heróis
(o medo vai ter heróis!)
costureiras reais e irreais
operários
(assim assim)
escriturários
(muitos)
intelectuais
(o que se sabe)
a tua voz talvez
talvez a minha
com certeza a deles

Vai ter capitais
países
suspeitas como toda a gente
muitíssimos amigos
beijos
namorados esverdeados
amantes silenciosos
ardentes
e angustiados

Ah o medo vai ter tudo
tudo

(Penso no que o medo vai ter
e tenho medo
que é justamente
o que o medo quer)

*
O medo vai ter tudo
quase tudo
e cada um por seu caminho
havemos todos de chegar
quase todos
a ratos

Sim a ratos

Alexandre O' Neill, Poesia Completa, Assírio & Alvim

segunda-feira, abril 09, 2007

Chiu! It's all so quiet, it's all so still...

( por Contradições)

Enjoy the silence

Silêncio

rosto sério e fechado e silencioso,
assim percorremos as ruas desertas,
desconhecidos que se viram ali pela primeira vez
só o ruído da renúncia e da negação perturba o silêncio.
o silêncio interrompeu algo,
o quê,
não sei...
o silêncio, por vezes, é tão doloroso.

sábado, abril 07, 2007

Impõe-se o silêncio!

domingo, abril 01, 2007

MENTIRAS

ENGANOS

VIGARICES

BURLAS

ILUSÕES

ERROS

e que mais?